Quatro clubes da Premier desviam activos para donos e somam £570M em mais-valias para cumprir regras financeiras

Chelsea, Newcastle, Aston Villa e Everton venderam equipas femininas e património imobiliário a entidades dos próprios proprietários para aliviar perdas e evitar sanções ao abrigo das novas regras da Premier League.

13 abr 2026 • há 10 horas • Leitura original: 2Playbook (Sport Business)
Quatro clubes da Premier desviam activos para donos e somam £570M em mais-valias para cumprir regras financeiras — 2Playbook (Sport Business)

O que aconteceu

Quatro clubes da Premier League — Chelsea FC, Newcastle United, Aston Villa e Everton FC — realizaram, entre 2023-2025, vendas internas de activos (equipas femininas e património imobiliário) a empresas dos seus proprietários, gerando £570 milhões (€696 milhões) em mais-valias. O objetivo: cumprir as regras de rentabilidade e sustentabilidade (PSR) e preparar a transição para o novo limite ao custo de plantel a partir de 2026-2027.

Por Que Importa

  • Alívio imediato de perdas e mitigação de deduções de pontos/multas sob as PSR, com mais-valias extraordinárias que mascaram resultados operacionais fracos.
  • Elevação de avaliações no feminino: o Chelsea valorizou a sua equipa em £198,7M, sinal para o mercado sobre o potencial comercial do sector, mas também risco de avaliações inflacionadas.
  • Mudança regulatória: a Premier limitará o custo da plantel a 85% dos proveitos totais (inclui mais-valias), exigindo planeamento financeiro em tempo real e testes intermédios a 1 de março.
  • Tensão regulatória europeia: a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) mantém o foco no “squad cost ratio” e alerta para sanções desportivas no 3.º ano de incumprimento; LaLiga teme pressão inflacionista nos salários.

Números

  • Chelsea: £275,2M em duas épocas via venda de um hotel e da equipa feminina a BlueCo 22 (Clearlake/Todd Boehly); reverteu para lucro de £129,6M num dos exercícios.
  • Newcastle: transferência de propriedade do St. James’ Park e outros activos para veículo do dono saudita; mais-valias de £133,2M e lucro de £34,7M após evitar perdas de ~€100M.
  • Aston Villa: venda do feminino e de The Warehouse (cervejeira junto ao estádio) à V Sports; £113,7M e lucro de £17M (vs. perdas de £89,5M no ano anterior).
  • Everton: equipa feminina vendida a filial dos Friedkin por £49,2M, reduzindo perdas em 84% em 2024-2025.
  • Total reportado: £570M em quatro clubes; o Chelsea representa cerca de 60%.

Contexto

  • PSR permitiam perder até £105M (€123M) em 3 anos, cobertos por capital dos accionistas. A partir de 2026-2027, o tecto de custo de plantel será 85% dos rendimentos totais (inclui transferências), com monitorização durante a época.
  • A UEFA não aceita algumas destas operações para o cálculo do “squad cost ratio”. Andrea Traverso (UEFA) lembra que as sanções desportivas surgem no 3.º ano de excesso.

Entre Linhas

  • Estas operações são intra-grupo: não trazem novos parceiros operacionais nem especialistas de exploração; visam gerar ganhos contabilísticos no curto prazo.
  • Risco de arbitragem regulatória: valorização de activos “relacionados” pode ser contestada se os preços não forem de mercado; alguns casos foram depois validados por entradas minoritárias (ex.: investidores no feminino do Chelsea), mas a prática poderá endurecer a fiscalização.

Se o formulário não aparecer, subscreva diretamente aqui.

Sem spam. Pode cancelar quando quiser. Ao subscrever aceita os Termos de Utilização da Substack, a Política de Privacidade e o Aviso de recolha de informação.