Clubes europeus superam €30 mil M em receitas mas perdem >€1 mil M; Uefa aponta custos e regulação desigual
Dados a apresentar no FT Business of Football Summit revelam lucros concentrados e perdas recorde em poucos emblemas; capital privado privilegia participações minoritárias
O que aconteceu
A Uefa antecipou que os clubes das principais ligas europeias ultrapassaram €30 mil milhões em receitas no último exercício, face a €28,6 mil M no ano anterior, mas, apesar do pico histórico, o setor registou prejuízos agregados pré‑impostos de cerca de €1,1 mil milhões. Patrocínios, transferências e prémios das competições pan‑europeias impulsionaram a faturação, enquanto custos operacionais e salários pressionaram margens. Os dados, a divulgar na quinta‑feira no FT Business of Football Summit, baseiam‑se em submissões iniciais de >700 clubes, sendo que os 25 maiores representam quase metade das receitas.
Por Que Importa
- Margens sob pressão: a inflação salarial (4,8%) e o aumento de custos operacionais (Arsenal +35%, Chelsea +51%, FC Barcelona +19%) neutralizam o crescimento de receitas, atrasando o caminho para rentabilidade operacional ampla.
- Concentração de risco: perdas significativas em poucos clubes (ex.: Chelsea €407 M) distorcem o agregado, ainda que ~2/3 dos primeiros reportantes tenham apresentado lucro em 2025.
- Modelo de financiamento em mutação: queda em aquisições totais pelo 3.º ano e avanço de participações minoritárias, equity estruturado e crédito privado, separando alocação de capital de controlo.
- Regulação: o novo enquadramento financeiro da Uefa (limites de gastos com plantéis vs. receitas) começa a disciplinar custos; a Premier League prepara sistema semelhante, mas a falta de regras domésticas consistentes limita retornos ao nível pré‑pandemia.
Números
- Receitas agregadas: >€30 mil M (vs. €28,6 mil M).
- Prejuízo agregado pré‑impostos: ~€1,1 mil M (em linha com 2024).
- Contribuição dos 25 maiores: ~50% das receitas.
- Exemplos de perdas: Chelsea €407 M, Olympique Lyonnais €196 M, Tottenham €148 M.
- Crescimento de salários: 4,8% (vs. 1,8% em 2024).
- Operações M&A: 29 clubes mudaram de controlo (queda pelo 3.º ano).
Entre Linhas
- Clubes procuram receitas alternativas (hospitalidade, eventos não‑futebol), mas exigem capex e elevam o opex; o retorno do investimento (ROI) pode ser mais lento sem reforço de direitos domésticos.
- O interesse de fundos dos EUA mantém‑se, mas com apetites por valuation elevados (ex.: Atlético de Madrid >€2 mil M) e maior preferência por estruturas menos intrusivas (minoritários/crédito), mitigando risco de governação.
E agora?
- Expectativa de estabilização de perdas em 2025, dependente de controlo salarial e valorização de ativos (jogadores/estádios).
- Vigilância à negociação de direitos domésticos (alguns mercados em fraqueza) e à captação internacional via competições europeias para sustentar o topo de receitas.