Metade da Premier League arrisca perder patrocínios com proibição a casas de apostas sem licença no Reino Unido

Consulta pública encerra esta semana; Governo prepara proibição já em 2027. Clubes podem perder “dezenas de milhões”, com impacto em patrocínios de mangas, equipamentos de treino e publicidade de estádio.

9 set 2026 • há 1 hora • Leitura original: The Guardian (Matt Hughes)
Metade da Premier League arrisca perder patrocínios com proibição a casas de apostas sem licença no Reino Unido — The Guardian (Matt Hughes)

O que aconteceu

O Governo britânico conclui esta quarta-feira uma consulta de oito semanas para proibir patrocínios e publicidade de casas de apostas sem licença no Reino Unido. Metade dos 20 clubes da Premier League tem acordos comerciais deste tipo, que poderão tornar-se ilegais já no próximo ano. A liga pressiona contra a medida, argumentando que muitos destes serviços, focados na Ásia, não operam no Reino Unido.

Por Que Importa

  • Receitas em risco: acordos com operadores não licenciados representam “dezenas de milhões de euros” (valores não divulgados) em patrocínios de mangas, equipamentos de treino e publicidade de perímetro.
  • Exposição regulatória e reputacional: a proibição obrigará a renegociar contratos e pode encarecer o custo de patrocínio para marcas reguladas, afetando o retorno do investimento (ROI) dos clubes.
  • Direitos audiovisuais: o Governo e entidades do setor ligam o crescimento das apostas não reguladas à pirataria de transmissões; ameaça indireta aos direitos televisivos da Premier League (~€13,98 mil M).
  • Pressão política: carta da Entain (Ladbrokes) a 10 clubes critica parcerias com operadores não licenciados e invoca ausência de salvaguardas (autoexclusão, limites de depósito e gastos, avaliações de acessibilidade).

Contexto

  • A Premier League impôs um banimento voluntário, desde esta época, a patrocínios frontais de camisola por casas de apostas, levando clubes a migrar marcas para mangas e treino.
  • Exemplos: o Everton fechou patrocínio de manga com o cripto-casino Stake.com; o Fulham passou a marca SBOTOP para o treino; o 8XBet (licença em Curaçau) tem acordos com Chelsea, Newcastle, Aston Villa, Ipswich e Coventry.
  • A ministra do Jogo, Vicky Foxcroft, sinalizou que o Governo pretende implementar a proibição em 2027 (não confirmado), admitindo pressão para permitir que contratos em vigor cheguem ao fim.

Números

  • Operadores não licenciados geraram €442 M (GBP £379 M) no Reino Unido no 1.º semestre de 2025, segundo a Campaign for Fairer Gambling.
  • Quota no jogo online britânico: 9% em 2025, face a 2% em 2022, num mercado estimado em €9.556 M (GBP £8,2 mil M).
  • Acordos de TV da Premier League avaliados em €13.981 M (GBP £12 mil M); a pirataria é apontada como risco, com 89% das transmissões ilegais a exibirem publicidade a operadores não licenciados.

E agora?

  • Clubes terão de diversificar carteiras de patrocínio (fintech, tecnologia, saúde, apostas licenciadas) e rever cláusulas de saída.
  • A liga procurará moratórias ou períodos de transição para contratos existentes; sem isso, cenário de quebra imediata de receita e potenciais litígios.

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