Ceferin trava multipropriedade, mas admite capital de fundos na UEFA e elogia aposta no feminino
Presidente da UEFA defende integridade competitiva, critica calendário inflacionado e vê o futebol feminino como investimento; Serie A acelera cessão internacional dos direitos de TV a fundos.
O que aconteceu
Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, afirmou no evento The Forum, em Riade, que a multipropriedade de clubes é incompatível com a integridade das competições europeias, recusando a presença de um mesmo proprietário com vários emblemas na Liga dos Campeões. Em paralelo, abriu a porta à entrada de fundos de investimento no ecossistema do futebol europeu. Comentou ainda o calendário sobrecarregado e classificou a atual operação no futebol feminino como investimento, apesar de perdas operacionais. Em Itália, a Serie A prepara a cessão dos direitos de televisão internacionais a investidores institucionais.
Por Que Importa
- Integridade e regulação: a rejeição da multipropriedade protege a confiança dos adeptos e reduz riscos de conflito de interesses que podem afetar receitas de bilhética, patrocínios e valor dos direitos.
- Capital institucional: a abertura a fundos de investimento amplia o acesso a financiamento para ligas e clubes, potencialmente reduzindo o custo de capital e acelerando projetos de infraestruturas e media.
- Calendário e receitas: Ceferin expôs o trade-off entre menos jogos e sustentabilidade financeira; mais jogos alimentam direitos de transmissão e patrocinadores, mas podem saturar a audiência e elevar custos desportivos.
- Feminino como tese de crescimento: perdas atuais no futebol feminino são tratadas como investimento com retorno esperado, sustentando futuras valorizações de direitos, patrocínios e vendas de bilhetes.
Contexto
- A Serie A procura investidores para um acordo de cessão dos direitos internacionais de TV, retomando uma ideia falhada em 2020-2021, então travada pela turbulência da Superliga envolvendo a Juventus FC.
- Entre os interessados estão grandes gestoras de capital de risco: Apollo Global Management, CVC Capital Partners, Ares Management e Sixth Street (valores não divulgados).
Entre Linhas
- O sinal político da UEFA contra a multipropriedade pode forçar reestruturações de carteiras de investidores multi-clube e influenciar avaliações de ativos.
- A referência à “saturação” do calendário sugere necessidade de modelo coordenado entre ligas, federações e clubes para preservar retorno do investimento (ROI) sem erosão da audiência.
E agora?
- Serie A prevê iniciar a cessão dos direitos internacionais no final de abril (data exata não confirmada), podendo criar referência para outras ligas europeias.
- Monitorizar métricas do feminino na próxima competição na Alemanha: ocupação, receitas de TV e patrocínios serão indicadores-chave do caminho para a rentabilidade.