Premier League acelera corrida a novos patrocinadores de camisola após saída do jogo online
Com a proibição dos casinos e apostas a partir de 2026/27, clubes enfrentam vagas por preencher e receitas em risco; tecnologia, luxo e retalho surgem como candidatos.
O que aconteceu
A partir de 2026/27, os clubes da Premier League vão deixar de ter marcas de apostas e casinos na frente da camisola, fruto de uma proibição voluntária aprovada em 2023. Metade das equipas ainda exibem esse tipo de patrocínio esta época. Até agora, só o Bournemouth oficializou um substituto: a Vitality (patrocinador do estádio) migra para a frente da camisola, em termos revistos em baixa. Há relatos de movimentos como a Indeed passar do equipamento de treino do Brentford para a camisola principal, e a CMC Markets avaliar acordos com Everton e Fulham (não confirmado). O Chelsea iniciou épocas recentes sem patrocinador frontal antes de fechar com a IFS.ai, que mantém parceria global mas não garante presença frontal em 2026/27.
Por Que Importa
- Receita em risco: a frente da camisola é um dos ativos comerciais de maior exposição global e retorno do investimento (ROI); a saída do jogo online reduz a procura e pressiona preços.
- Reprecificação do mercado: menos concorrentes “tradicionais” aumenta a dependência de novos setores; primeiros acordos já surgem com valores revistos em baixa (caso Vitality).
- Mudança de mix setorial: tecnologia (inteligência artificial e cibersegurança), plataformas de negociação e marcas chinesas de automóveis (BYD, Omoda) estão a sondar espaços.
- Oportunidade de reposicionamento: consultores defendem aposta em luxo e entretenimento (ex.: Gucci, Netflix) para tratar os clubes como plataformas de entretenimento com maior apelo geracional e internacional.
Contexto
- A decisão da liga “retira” um conjunto de marcas com forte capacidade de gasto, alterando a oferta/procura e empurrando clubes para carteiras de patrocinadores com foco B2B e segmentos premium.
- Exemplos no escalão secundário ilustram alternativas no retalho: Birmingham (Undefeated), Norwich (Blakely) e Burnley (Classic Football Shirts).
Entre Linhas
- O timing é crítico: várias camisolas poderão chegar ao início de 2026/27 sem marca frontal, o que afecta planeamento comercial, cash flow e negociações com parceiros secundários.
- A tendência “Blokecore” e a visibilidade de jogadores em moda (Cole Palmer, Bukayo Saka, Erling Haaland) reforçam a ponte com luxo e lifestyle, potencialmente elevando CPMs (custo por mil) e ativação fora do dia de jogo.
E agora?
- Clubes devem alargar a prospeção a IA, cibersegurança, automóvel elétrico, retalho moda/desporto e entretenimento, com pacotes que combinem transmissão online (plataformas de transmissão online), social e conteúdos proprietários.
- Estruturar propostas por dados de audiência e segmentação demográfica para defender preço após a saída do jogo online; acordos “ponte” de 1 época podem mitigar risco até estabilizar o mercado.