Infantino pede desculpa pelo projeto comercial da FIFA, mas Inglaterra e Alemanha contestam liderança
O presidente da FIFA reconheceu falhas de comunicação e consulta sobre uma proposta entretanto abandonada. As federações inglesa e alemã exigem respostas sobre o processo.
O que aconteceu
Gianni Infantino pediu desculpa ao Conselho da Federação Internacional de Futebol (FIFA), numa reunião em Zurique a 15 de outubro, por falhas na comunicação e consulta sobre o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE). A proposta, entretanto abandonada, previa criar uma empresa para gerir interesses comerciais das competições da FIFA, incluindo o Mundial, e vender uma participação minoritária a investidores privados. Infantino sublinhou que o plano nunca foi uma decisão definitiva. Valores não divulgados.
Por Que Importa
- O projeto podia alterar a forma como a FIFA gere os direitos comerciais das suas competições e, segundo Infantino, gerar mais financiamento para as suas 211 associações-membro.
- A venda de uma participação a investidores privados levantou questões de governação e transparência sobre decisões com impacto nas receitas do futebol internacional.
- A contestação das federações inglesa e alemã mostra que o pedido de desculpa não resolveu as divergências entre membros do Conselho sobre o processo de decisão.
Contexto
- Bernd Neuendorf, presidente da federação alemã, defendeu um «recomeço completo» na FIFA e afirmou não acreditar que Infantino possa conduzir as reformas necessárias.
- Debbie Hewitt, presidente da federação inglesa, pediu respostas às perguntas dos membros do Conselho e acesso aos documentos do FFE. Afirmou que, se Infantino não responder, não terá condições para continuar na presidência.
- Ahmed Yahya, presidente da Federação de Futebol da República Islâmica da Mauritânia, defendeu Infantino, apontando o aumento do financiamento às federações nacionais e o alargamento do Mundial a 48 equipas.
Em perspetiva
Em agosto, UEFA, Concacaf e AFC exigiram a demissão de Infantino numa carta aberta, depois de a proposta ter sido cancelada. Para as três confederações, o FFE constituía uma «quebra de confiança», não um simples erro processual. Ainda nesse mês, a UEFA preparava uma queixa-crime na Suíça por alegada má gestão ligada ao plano. Em setembro, Infantino confirmou que tencionava recandidatar-se em 2027. A explicação agora centrada na falta de consulta contrasta com uma contestação que já visava a sua permanência na presidência.