Uefa, Concacaf e AFC unem-se para exigir a saída de Infantino da FIFA
Três confederações que somam a maioria dos 211 membros contestam plano de privatização dos direitos comerciais do Mundial; presidente resiste e alega ter apoio interno
O que aconteceu
Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgaram uma carta aberta, a 10 de agosto de 2026, exigindo a demissão de Gianni Infantino da presidência da FIFA. As três confederações dizem que o plano para vender participações numa nova empresa que geriria os direitos comerciais do Mundial constitui “quebra de confiança” e não um simples erro processual. Apesar da pressão, a FIFA afirma que Infantino mantém o apoio da sua liderança e de várias federações.
Por Que Importa
- Se este bloco se mantiver coeso, agrega a maioria dos 211 membros da FIFA, podendo influenciar moções de censura ou reformas estatutárias com impacto direto na governação e nos contratos comerciais globais.
- A privatização parcial de direitos do Mundial alteraria o modelo de receitas centralizadas da FIFA (patrocínios globais, hospitalidade, licenciamento e direitos de transmissão), com potenciais efeitos em avançados de caixa e no poder negocial das confederações/federações.
- A instabilidade no topo da FIFA pode atrasar ciclos de venda de patrocínios e direitos de transmissão do Mundial, pressionando prazos de planeamento de marcas e emissoras.
- O risco reputacional amplia escrutínio regulatório e de compliance em contratos de longo prazo, encarecendo comissões/honorários e cláusulas de saída para parceiros.
Contexto
- O plano de Infantino, revelado há cerca de duas semanas, previa vender posições numa nova entidade que centralizaria a exploração comercial do Mundial; valores não divulgados.
- Entre as vozes críticas dentro da própria FIFA estão Kevin Lamour (diretor de operações) e Arsène Wenger (responsável pelo desenvolvimento global do futebol).
- Há federações, como as do Qatar e do México, que manifestaram apoio a Infantino, evidenciando falta de consenso dentro das confederações signatárias.
Entre Linhas
- A carta acusa a liderança de falta de transparência e responsabilização, sinalizando choque sobre quem controla o produto premium do futebol global: o Mundial.
- Novas alegações sobre a vida pessoal de Infantino (anteriores à FIFA) adicionam ruído, mas o presidente nega e a FIFA fala em esforço coordenado para o minar — aumentando a polarização e o impasse político.