Radar Digital #3: o Torreense levou a Segunda Liga à Europa e às redes
Setembro de 2026: Europa e novo estádio em Torres Vedras, o efeito Pato Salas em Famalicão e as histórias digitais das três ligas.
O Torreense teve duas histórias para contar em setembro. Uma aconteceu na Noruega, com a primeira vitória europeia. A outra apontou ao futuro de Torres Vedras: o anúncio do novo estádio.
As redes deram dimensão às duas. O clube fechou o mês com 141.744 seguidores nas cinco plataformas analisadas, mais 9.617 (+7,28%). No Instagram, os conteúdos associados ao Torreense somaram 289.066 interações, mais 117,6% do que em agosto.
A publicação da UEFA sobre a vitória reuniu 63.035 interações. Na conta do clube, o resultado do jogo chegou às 33.980. Quatro dias depois, o novo estádio gerou outras 23.944.
A sequência é relevante para quem trabalha a comunicação de um clube: um resultado desportivo abriu uma janela de atenção internacional e, ainda nessa janela, o Torreense apresentou um projeto para a sua cidade. Os números não demonstram quanto desse interesse se transformará em bilhetes, patrocínios ou novos adeptos. Mostram que houve público para ouvir as duas histórias.
O mês em números
Os 52 clubes analisados somavam 45.386.232 seguidores a 1 de outubro. No conjunto dos 50 clubes com comparação válida entre 1 de setembro e 1 de outubro, o aumento foi de 164.222 (+0,37%).
Primeira Liga: 42.217.749 seguidores; mais 133.997 (+0,32%).
Segunda Liga: 1.926.032; mais 23.986 (+1,26%).
Liga 3: 1.242.451; mais 6.239 (+0,65%) nos 17 clubes comparáveis.
São somas de seguidores no Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube, não pessoas únicas. As equipas B ficam de fora. Na Liga 3, Atlético CP e Belenenses entram no total de seguidores, mas ficam fora da variação mensal pelos motivos explicados na metodologia.
Primeira Liga: o Porto cresceu mais, o Famalicão teve a aceleração
O Benfica manteve a maior presença agregada, com 12,92 milhões de seguidores. O FC Porto aproximou-se: acrescentou 111.273 (+0,91%) e chegou aos 12,38 milhões. Foi também o clube com mais interações nos conteúdos de Instagram recolhidos para setembro: 7,27 milhões.
Entre os restantes clubes, o Famalicão destacou-se com mais 18.023 seguidores (+5,36%), para um total de 354.018. A chegada de Pato Salas ajuda a perceber o mês editorial do clube.
Em vez de encerrar a contratação numa única publicação, o Famalicão desdobrou a apresentação: informação sobre o jogador, o avançado na primeira pessoa e conteúdos que deram continuidade à chegada. Quatro publicações explicitamente associadas a Salas somaram 52.594 interações.
O interesse num reforço oferece uma ocasião para apresentar o próprio clube a quem chega por causa do jogador. É essa possibilidade que torna o caso interessante. Sem dados sobre a origem dos novos seguidores, não podemos atribuir o crescimento ao mercado mexicano nem medir quanto dele veio desta contratação.
Segunda Liga: fazer a atenção circular
O Torreense concentrou cerca de 40% do aumento de seguidores da Segunda Liga. Mas o seu setembro não se resumiu à publicação da UEFA: a mediana de interações por post subiu de 757 para 1.069,5 (+41,3%), com 100 conteúdos recolhidos contra 89 em agosto.
A diferença importa. O total mensal pode disparar por causa de um único conteúdo viral. Neste caso, a subida da mediana sugere que o desempenho também melhorou no centro da distribuição, embora não demonstre uma relação causal com a campanha europeia.
Penafiel: um amigável transformado em campanha
O Penafiel chegou às 117.392 interações (+72,8%) e ganhou 2.495 seguidores (+2,82%). O caso editorial mais interessante foi a forma como trabalhou o encontro com o Deportivo, disputado a 25 de setembro.
A comunicação começou antes do jogo e deu motivos concretos para ir ao estádio: um bilhete gratuito para os sócios, entradas a cinco euros para os abonados do Deportivo e a dez euros para o público geral. Do lado galego, antigos jogadores com passado no clube ajudaram a promover a deslocação.
O Penafiel acrescentou um desafio nos comentários com um bilhete como prémio, lembretes de compra e uma fan zone. O encontro teve ainda transmissão anunciada na Sport TV +. A relação entre os clubes ganhou, assim, uma expressão prática: conteúdos para públicos dos dois lados da fronteira e uma proposta de participação presencial.
Esta é a aprendizagem mais útil do caso: a comunicação ligou a história do jogo a uma ação concreta — comprar um bilhete, chegar mais cedo ou participar. Os dados disponíveis não permitem medir vendas atribuíveis aos posts nem explicar toda a subida mensal com o amigável.
Lourosa: o golo viaja para lá da conta do clube
O Lourosa registou 77.285 interações (+68,0%). O golo de Dylan Collard, publicado pela Liga Portugal, somou 17.376. Só esse conteúdo representa 22,5% das interações do mês associadas ao clube.
Há aqui uma dimensão que os rankings de seguidores não mostram: um clube pode ganhar exposição através da liga, de um operador televisivo ou de um criador. Essa circulação conta para a visibilidade, mas deve ser distinguida da produção e da audiência dos canais próprios.
Liga 3: apresentações, investimento e comunidade
O Leça liderou as interações do universo analisado na Liga 3, com 90.446 (+84,7%). Duas apresentações explicam boa parte desse resultado: Jordi Kuange, num vídeo publicado por m.p.street, com 38.146 interações e 687.505 reproduções; e Duarte, com 14.799 interações e 481.630 reproduções.
Em conjunto, os dois vídeos representam 58,5% das interações do Leça no mês. A mediana por publicação caiu de 286 para 247. O clube conseguiu dois conteúdos de grande circulação, mas esse sucesso não foi uma melhoria uniforme de todo o calendário editorial.
Paredes: o projeto também é conteúdo
No Paredes, a história passou por Rui Caetano. Numa publicação do Canal 11, o antigo jogador surge como investidor no clube onde se formou e fala do objetivo de o ajudar a profissionalizar-se e chegar a outros patamares.
O conteúdo somou 2.290 interações e 107.754 reproduções. A sua relevância vai além da posição no ranking: oferece uma explicação sobre quem está a construir o clube e para onde pretende levá-lo. É matéria para adeptos, potenciais parceiros e comunidade local.
Caldas: nem todos os comentários dizem a mesma coisa
O passatempo de um FC 27, em conjunto com a Impulse, somou 1.911 interações. Dessas, 1.483 foram comentários — 77,6% do total. Para participar era necessário seguir as duas contas e identificar amigos.
É um mecanismo claro de distribuição: cada participação chama outras pessoas à publicação. Também explica por que não devemos ler um pico de comentários como se fosse, por si só, uma conversa espontânea sobre o clube. A pergunta seguinte é quantos dos participantes continuam presentes depois de atribuído o prémio.
No crescimento de seguidores, o Marco 09 acrescentou 487 (+3,56%). O Vitória de Sernache teve a maior subida percentual, 5,24%, mas corresponde a 292 seguidores no universo medido, limitado ao Instagram. A percentagem e o número absoluto precisam de ser lidos em conjunto.
O que setembro deixa às equipas de comunicação
O Torreense juntou resultado desportivo, distribuição internacional e um anúncio institucional. O Famalicão fez de uma contratação uma sequência de conteúdos. O Penafiel ligou a promoção de um jogo a bilhetes e participação presencial. Leça, Lourosa e Paredes mostram, por caminhos diferentes, o peso das contas de terceiros na circulação das histórias dos clubes.
Para avaliar esse trabalho, o crescimento de seguidores é apenas uma parte da leitura. Convém observar também a concentração das interações, a resposta ao conteúdo habitual e a ação que se propõe ao público. Uma publicação pode trazer muita atenção; a continuidade é o que permite perceber se o clube conseguiu construir uma relação a partir dela.
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Notas metodológicas
Período e universo. Esta edição analisa setembro de 2026. A comparação de seguidores usa as contagens de 1 de setembro e 1 de outubro. Inclui 52 clubes: 18 da Primeira Liga, 15 da Segunda Liga e 19 da Liga 3, excluindo equipas B.
Seguidores. Os totais somam as contas identificadas no Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube. A mesma pessoa pode seguir um clube em várias plataformas e vários clubes. As contagens públicas podem ser arredondadas pelos serviços de origem. Ausências de medição não são tratadas como zero.
Alverca. Passámos a analisar as contas da Futebol SAD no Facebook, Instagram e TikTok. A base de 1 de setembro foi corrigida para as mesmas contas usadas na recolha de 1 de outubro, para não apresentar a mudança de conta como crescimento de audiência.
Comparabilidade na Liga 3. O Atlético CP mudou de conta de Instagram e o Belenenses não dispõe de uma medição de TikTok na base escolhida de 1 de setembro. Ambos entram no total atual, mas ficam fora do cálculo da variação agregada. Por isso, a evolução da Liga 3 cobre 17 clubes e a evolução global cobre 50.
Instagram. As interações correspondem à soma de gostos e comentários dos conteúdos públicos do mês identificados na recolha. As reproduções são apresentadas separadamente. O conjunto pode incluir publicações colaborativas e conteúdos de contas de terceiros associados ao clube; não equivale exclusivamente a produção própria. Uma publicação associada a mais de um clube também não representa audiências independentes.
Comparação entre meses. As métricas dos posts são observadas no momento da recolha. Os conteúdos de agosto e setembro não têm todos o mesmo tempo de acumulação de interações. As variações ajudam a identificar casos para análise, mas não permitem atribuir causalidade, medir vendas ou identificar a origem geográfica dos novos seguidores.
Fonte: Futebol & Negócios / SocialFetch. Recolha de 1 de outubro de 2026.