Benfica acelera, Sporting recua e o Santa Clara mostra como furar a escala

A primeira edição do Radar Digital acompanha 52 clubes e revela quem ganhou terreno nas redes em julho — e que histórias mobilizaram audiências muito acima da dimensão habitual de cada clube.

3 ago 2026 • há 7 horas • Leitura original: Radar Digital — Futebol e Negócios
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O futebol português, medido todos os meses

O futebol português somava 44.920.474 seguidores em Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube no dia 1 de agosto. Nos 47 clubes com uma base comparável ao mês anterior, a audiência cresceu 122.449 seguidores, ou 0,3%.

Estes são os primeiros resultados do Radar Digital, a nova análise mensal do Futebol e Negócios sobre a presença digital dos 52 clubes da Primeira Liga, Segunda Liga e Liga 3.

O Instagram concentrou quase três quartos do crescimento líquido. Mas o principal ensinamento de julho não está apenas na plataforma que mais cresceu: está na capacidade de algumas histórias chegarem muito além da escala normal de cada clube.

Primeira Liga: os grandes lideram, mas o Santa Clara conta a melhor história

O Benfica liderou o crescimento absoluto, com +36.555 seguidores, seguido pelo FC Porto, com +15.529. O Sporting perdeu 12.340 seguidores, sobretudo devido ao recuo registado no TikTok.

Fora do trio, o Santa Clara destacou-se com +10.401 seguidores. Uma publicação colaborativa com o criador Edivando Junior permitiu ao clube açoriano aceder a uma audiência muito superior à sua distribuição habitual.

O caso mostra uma diferença importante entre ter escala e saber onde a encontrar. Uma colaboração bem escolhida pode transformar a distribuição de um conteúdo sem exigir que o clube tenha previamente uma comunidade com a mesma dimensão.

O Arouca também merece atenção: a sua conta de TikTok cresceu 20,5% num só mês, um ritmo muito acima do restante universo da competição.

Segunda Liga: comunicar algo útil também produz audiência

Na Segunda Liga, o Torreense liderou o crescimento, com +3.479 seguidores, e somou 121.068 interações no Instagram.

A renovação do passe de época e a comunicação do Estádio Municipal de Leiria como casa europeia deram aos adeptos informação com uma função concreta. Nem todo o conteúdo de elevado desempenho precisa de nascer do espetáculo: reduzir incerteza e ajudar o adepto a tomar uma decisão também cria valor.

Liga 3: bases menores, espaço para histórias diferentes

Nos 14 clubes da Liga 3 com comparação disponível, a audiência cresceu 12.070 seguidores, ou 1,2%.

O Belenenses beneficiou da amplificação do Canal 11. O Atlético CP levou a marca para fora do futebol através do projeto com o MAAT. Na União de Santarém, o salto arredondado registado no Facebook coincidiu com a contratação de Maya, internacional angolano proveniente do Petro de Luanda — uma coincidência relevante, mas insuficiente para estabelecer uma relação causal.

O que julho ensina

Os maiores clubes continuarão a dominar os totais. Mas crescimento, relevância e distribuição não são exatamente a mesma coisa.

Julho deixou três sinais:

  • a colaboração certa permite aceder a novas comunidades, como mostrou o Santa Clara;
  • a comunicação útil pode superar o conteúdo genérico, como aconteceu com o Torreense;
  • território, cultura e identidade alargam a marca para lá do jogo, como sugerem os casos do Atlético CP e do Belenenses.

O Radar Digital será atualizado no primeiro dia de cada mês. A análise é pública; as tabelas completas, clube a clube e plataforma a plataforma, são disponibilizadas aos subscritores do Futebol e Negócios na edição mensal.

Os totais somam presenças nas plataformas, não pessoas únicas. Cinco clubes da Liga 3 entram nesta edição sem uma base comparável de junho.

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