Consultora estima futebol europeu em €38 mil M, mas metade dos clubes dá prejuízo
Relatório da Boston Consulting sublinha concentração de €11 mil M nos 20 maiores e domínio financeiro da Premier League, enquanto os custos e o calendário disparam.
O que aconteceu
O relatório “The Three Forces Reshaping the Beautiful Game”, da Boston Consulting, avalia o futebol europeu em €38 mil milhões. Contudo, cerca de metade dos clubes opera com prejuízo e os 20 clubes com maiores receitas agregam €11 mil milhões (mais de 50% dos proveitos das cinco principais ligas). A Premier League lidera a captação de direitos internacionais e investimento em transferências.
Por Que Importa
- Concentração de receitas: os 20 maiores retêm >50% dos proveitos, acentuando desigualdades competitivas e poder no mercado de transferências.
- Dominância inglesa: direitos da Premier League subiram de £500 M (2010) para >£2,2 mil M (≈€2,57 mil M), reforçando a capacidade de pagar salários e comissões e inflacionando preços.
- Sustentabilidade em risco: apesar de limites da UEFA (teto de 70% das receitas para salários), a despesa aproxima-se dos rendimentos; em 2022/23, clubes da Premier investiram £5,7 mil M em jogadores (~90% das receitas da liga).
- Pressão do calendário: mais competições (novos formatos da Champions/Europa/Conference, alargamento de Mundiais e novo Mundial de Clubes da FIFA) elevam risco de lesões e custos com plantéis.
Contexto
- Retrocessão na Inglaterra pode cortar >2/3 do faturamento de um clube, ampliando o fosso financeiro entre Premier League e Championship.
- A multipropriedade expande-se: grupos multi-clube já controlam cerca de 400 clubes a nível global, apesar de regras anteriores mais restritivas.
- A concentração de riqueza reflete-se no desempenho europeu: clubes mais endinheirados tendem a chegar mais longe na Liga dos Campeões (a competição de clubes mais valiosa).
E agora?
- Cenários apontados pela Boston Consulting: (1) finanças mais sólidas mas com maior clivagem entre gigantes e restantes; (2) possíveis uniões entre ligas menores para ganhar tração comercial; (3) teto ao número de jogos impulsionado pelos jogadores, forçando redesenho de calendários; (4) inspiração em formatos alternativos como Kings League e Baller League para captar público jovem e anunciantes.