Ministério Público francês investiga Nasser Al‑Khelaifi por alegado conflito de interesses nos direitos da Ligue 1
Presidente do Paris Saint‑Germain e do BeIN Media Group é alvo de inquérito preliminar ligado ao acordo de €100 milhões/época por um jogo semanal da Ligue 1
O que aconteceu
O Ministério Público francês abriu um inquérito preliminar a Nasser Al‑Khelaifi, presidente do Paris Saint‑Germain (PSG) e do BeIN Media Group, por alegado conflito de interesses no acordo de direitos de transmissão com a Liga de Futebol Profissional (LFP) fechado em 2024. O pacote em causa atribui à BeIN Sports a transmissão de um jogo semanal da Ligue 1 por €100 milhões/época, num contexto em que a DAZN assegurou oito jogos por jornada por €400 milhões.
Por Que Importa
- Possível concentração de poder: o duplo papel de Al‑Khelaifi (PSG, Associação Europeia de Clubes e BeIN) pode condicionar decisões sobre direitos e receitas dos clubes.
- Impacto nas finanças da Ligue 1: o ciclo atual rende cerca de €500 milhões/época, metade da meta inicial de €1.000 milhões da LFP, pressionando os orçamentos dos clubes.
- Risco regulatório e jurídico: uma conclusão adversa pode levar a revisão contratual e sanções, com efeitos na distribuição de receitas e na estabilidade dos acordos de emissão.
- Concorrência e preços: o negócio da BeIN é apontado como “um dos piores” da LFP; prova‑se influência indevida, pode abrir precedente para escrutínio reforçado em futuras licitações.
Contexto
- A BeIN, controlada a partir de Doha, opera em 43 países com cerca de 55 milhões de assinantes, e detém direitos premium em vários mercados (Liga dos Campeões, LaLiga, Premier League e Ligue 1).
- A saída do Canal+ da licitação e a perda recente de estrelas na Ligue 1 reduziram o poder negocial da LFP, favorecendo propostas mais baixas.
- Defensores de Al‑Khelaifi sustentam que os €100 milhões da BeIN evitaram um cenário ainda mais negativo, em que a LFP ficaria apenas com os €400 milhões da DAZN.
Entre Linhas
- O inquérito está em fase preliminar (resultados não confirmados). O advogado de Al‑Khelaifi afirma que o dirigente agiu de forma independente e imparcial.
- O histórico do dirigente inclui absolvições/arquivamentos em casos anteriores na Suíça e França, e influência política reforçada após a oposição à Superliga Europeia.