UEFA contrata peso-pesado jurídico nos EUA para contestar plano de financiamento da FIFA
Organismo europeu ameaça ações legais contra a estrutura Fifa Forward Enterprise, avaliada em 4,2 mil milhões de dólares, e notifica executivos e financiadores nos EUA.
O que aconteceu
A UEFA contratou Andrew Levander, ex-presidente do escritório norte‑americano Dechert, para preparar uma ofensiva legal contra o plano da FIFA de vender cerca de 20% da Fifa Forward Enterprise por cerca de 4,0–4,2 mil milhões de dólares. Após fuga de informação e forte contestação, Gianni Infantino recuou publicamente no projeto, mas a UEFA enviou cartas legais a 18 executivos da FIFA e a potenciais financiadores nos EUA, instruindo preservação de documentos e sinalizando que processos judiciais, arbitragem e/ou queixas regulatórias são “razoavelmente antecipados”.
Por Que Importa
- Em causa está a monetização centralizada de receitas futuras da FIFA, com impacto direto na distribuição de verbas às 211 federações e no equilíbrio de poder entre FIFA e confederações.
- A escolha de uma firma de advocacia nos EUA dá à UEFA alavancagem jurisdicional — relevante para eventuais litígios envolvendo fundos, bancos e consultoras norte‑americanas.
- Se avançar, o caso pode redefinir modelos de financiamento no futebol global (securitização de receitas e venda de participações em veículos comerciais) e acender alertas de governação e conflito de interesses.
- Uma disputa prolongada pode afetar calendários competitivos, patrocínios e direitos de transmissão ligados a projetos futuros da FIFA.
Contexto
- A FIFA argumentou que o encaixe de 4 mil milhões de dólares permitiria triplicar os pagamentos às 211 associações membros (valores detalhados não divulgados), submetendo a proposta a votação em setembro (adiada após o recuo).
- O plano apontava financiamento significativo da Thrive Capital (fundo de capital de risco de Nova Iorque de Joshua Kushner). Segundo a imprensa, Greg Maffei, JP Morgan e OpenEconomics também foram notificados pela equipa jurídica da UEFA.
- A carta da UEFA sustenta que a iniciativa seria “incompatível com a boa governação do futebol”, pedindo preservação de comunicações eletrónicas pelos executivos nomeados.
Entre Linhas
- O uso de jurisdição norte‑americana ecoa o precedente de 2015, quando o Departamento de Justiça dos EUA e o FBI intervieram em casos de corrupção na FIFA — um sinal de que a UEFA quer maximizar alcance probatório e pressão regulatória.
- Termos específicos do veículo Fifa Forward Enterprise, incluindo avaliação, governança e direitos de voto dos investidores, permanecem não confirmados.