Mundial com 64 seleções em estudo levanta alertas de receita e calendário
Expansão pode desvalorizar qualificações regionais e concentrar mais poder financeiro na FIFA; confederações e ligas europeias contestam
O que aconteceu
A possibilidade (não confirmada) de alargar o Campeonato do Mundo para 64 seleções está a gerar preocupações financeiras e de calendário. A Reuters reporta que a mudança tornaria a qualificação mais acessível a grandes nações, potencialmente reduzindo o valor comercial dos torneios de apuramento e reforçando o peso económico do evento principal da FIFA. Presidentes da Confederação Asiática de Futebol e da UEFA manifestaram oposição, enquanto Javier Tebas, líder da LaLiga, criticou publicamente Gianni Infantino.
Por Que Importa
- Receitas de qualificação em risco: menos atractividade para emissões e patrocínios dos apuramentos pode cortar receitas das seis confederações regionais, aumentando a sua dependência das distribuições da FIFA.
- Centralização de poder: a concentração de fluxos financeiros no Mundial eleva a capacidade de negociação da FIFA sobre calendários, direitos e janelas internacionais.
- Pressão no calendário e nas ligas: um torneio maior exigiria mais dias de competição, logística acrescida e maior carga de jogos para os jogadores, com impacto na integridade das ligas domésticas e em custos operacionais (estádios, alojamento, transporte).
- Valor de longo prazo: risco de diluição da exclusividade do Mundial, afectando preços de direitos, patrocínios e custos para adeptos (viagens/bilhetes), além de debate sobre equilíbrio competitivo.
Contexto
- A expansão implicaria mais estádios, hotéis e transporte, e provavelmente um torneio mais longo, num calendário já congestionado por competições de clubes e seleções.
- A discussão surge num ambiente de tensão regulatória entre FIFA, confederações e ligas, com queixas recorrentes sobre a proteção das competições nacionais e o bem‑estar dos jogadores.
Entre Linhas
- Se as emissoras desvalorizarem os apuramentos, confederações poderão ajustar formatos para recuperar audiência (não confirmado), mas no curto prazo enfrentam maior volatilidade de receitas.
- Críticas políticas intensificam‑se: Tebas acusa a FIFA de “destruir a indústria”, enquanto Infantino, figura controversa, deverá procurar um novo mandato; a estabilidade política na cúpula pode acelerar decisões sobre o formato (não confirmado).