2025 confirmou a vaga de fundos no futebol: EUA lideram compras e multipropriedade acelera

Atlético de Madrid, Espanyol, Udinese, Verona e Monza mudaram de mãos; Getafe poderá ser o próximo. Pressão financeira e estratégia de grupos multipropriedade marcam o ano.

6 jan 2026 • 08:59 • Leitura original: Palco23 / Mundo Deportivo (Andrés Tomás)
2025 confirmou a vaga de fundos no futebol: EUA lideram compras e multipropriedade acelera — Palco23 / Mundo Deportivo (Andrés Tomás)

O que aconteceu

Em 2025, fundos de investimento — sobretudo norte‑americanos — dominaram a compra e venda de clubes de futebol na Europa. Em Espanha, o Atlético de Madrid recebeu a entrada maioritária da Apollo Sports Capital numa operação avaliada em 2.500 milhões de euros (governança partilhada com Miguel Ángel Gil e Enrique Cerezo). O RCD Espanyol foi adquirido pela Velocity Sport Limited por 130 milhões de euros (metade em numerário, metade em ações), enquanto o Getafe CF esteve perto de vender ao Fenway Sports Group por 115,6 milhões de euros, mas deverá avançar com o grupo catariano JTA (não confirmado). Em Itália, fundos dos EUA assumiram o controlo de Udinese (c. 150 milhões de euros), Hellas Verona (Presidio Investors, 100%) e Monza (BLV, 80%). A Apollo também entrou minoritária no Wrexham AFC. No eixo multipropriedade, Eagle Football (John Textor) manteve expansão e apresentou proposta superior a 400 milhões de libras (c. 457 milhões de euros) pelo Wolverhampton.

Por Que Importa

  • A valorização de ativos futebolísticos atrai capital institucional: operações de centenas a milhares de milhões de euros reconfiguram estruturas acionistas e planos de investimento.
  • Grupos multipropriedade (City Football Group, Red Bull, Eagle Football, 777 Partners) criam sinergias operacionais e alavancas comerciais globais, mas levantam questões de regulação competitiva da UEFA e ligas.
  • Novos donos prometem capex em infraestruturas — ex.: Cidade do Desporto junto ao Estádio Riyadh Air Metropolitano — com impacto em receitas de dia de jogo, eventos e entretenimento.
  • Risco financeiro também cresce: casos como 777 Partners (embargo judicial na Bélgica por 3,5 milhões de euros em incumprimento) expõem vulnerabilidades do modelo.

Contexto

  • A Apollo torna‑se acionista maioritário do Atlético sem controlo total; Gil e Cerezo mantêm gestão executiva, sinalizando modelo híbrido entre capital e continuidade.
  • VSL (proprietária do Burnley FC) pagou 65 milhões em dinheiro e 65 milhões em ações; a Rastar retém 16,45% do Espanyol.
  • Em Itália, termina a era Pozzo na Udinese (>40 anos). O Verona passa para a norte‑americana Presidio; o Monza, para o fundo BLV (80%).
  • O PIF (Fundo Soberano Saudita) avalia vender 75% do Al‑Hilal (não confirmado), mantendo controlo em Al‑Nassr, Al‑Ittihad e Al‑Ahli.

E agora?

  • Expectativa de mais transações em 2026, com fundos a competir por ativos com audiência global e potencial de crescimento de receitas digitais.
  • Reguladores podem reforçar escrutínio à multipropriedade e à sustentabilidade financeira perante a volatilidade do crédito e das avaliações.

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