FSR da UEFA impulsionam lucros? Amostra de 24 clubes aponta viragem positiva
Três épocas após a introdução do novo enquadramento, os resultados líquidos médios passaram de -€296M (2022/23) para +€100M (2024/25), suportados por crescimento de receitas e maior disciplina de custos.
O que aconteceu
Uma análise a 24 clubes europeus com dados até 2024/25 indica que as Regulamentações de Sustentabilidade Financeira da UEFA (FSR), lançadas em 2022, coincidem com uma viragem para lucros: o resultado líquido médio passou de perda de €296M (2022/23) para lucro de €100M (2024/25). A melhoria foi impulsionada por receitas operacionais em alta (+21%, de €298M para €362M) e pela introdução faseada do rácio de custos de plantel (limite de 70% das receitas para salários, transferências e comissões de agentes).
Por Que Importa
- Mais estabilidade financeira aumenta a capacidade de investimento responsável e reduz risco de sanções regulatórias.
- Crescimento de receitas comerciais e de dia de jogo (ex.: novo Santiago Bernabéu) e novas competições reforçam previsibilidade de cash-flow.
- Clubes com melhor margem e controlo de custos tornam-se mais atrativos para investimento institucional, elevando a valorização de ativos.
- A disciplina do rácio de custos de plantel tende a moderar inflação salarial e de transferências, com impacto em toda a cadeia do mercado.
Números
- Resultado líquido médio: de -€296M (2022/23) para +€100M (2024/25) — variação agregada próxima de €400M.
- Receitas operacionais médias: €298M → €362M (+21%).
- Receitas totais incluindo venda de jogadores: €323M → €398M (+23%); o motor principal foram receitas recorrentes, não vendas excecionais.
- Casos de referência: forte redução de perdas em Juventus e Paris Saint‑Germain; Inter com a primeira época lucrativa do século; Real Madrid +43% em receitas operacionais; Bologna +141% após qualificação europeia.
Contexto
- O Fair Play Financeiro (FFP) de 2010 travou perdas até 2017, mas a pandemia reverteu a tendência. As FSR reforçam o enfoque em solvência, estabilidade e controlo de custos, para lá da mera rentabilidade.
- A amostra inclui 24 clubes de Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Portugal, Escócia, Espanha e Turquia; resultados por liga variam, mas a direção é consistente.
Entre Linhas
- Parte da recuperação decorre do pós‑pandemia e de novos formatos/competições (Liga dos Campeões e Mundial de Clubes), não apenas das FSR.
- Dados de custos detalhados não foram divulgados; a disciplina de salários e transferências é inferida pelo efeito do rácio de custos (não confirmado em todos os casos).