A22, promotora da Superliga, encerra 2025 sem receitas e aprofunda prejuízos
Com a suspensão do projeto e a saída dos grandes clubes, a A22 Sports Management registou perdas de €3,16 milhões em 2025 e acumula perto de €9 milhões em dois anos.
O que aconteceu
A A22 Sports Management, promotora da Superliga europeia de clubes, fechou 2025 sem receitas e com prejuízos de €3,16 milhões, segundo contas citadas pelo Palco23. A atividade foi suspensa em fevereiro, após o FC Barcelona abandonar o projeto e o Real Madrid CF acordar com a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) e a European Football Clubs (EFC) o regresso ao modelo vigente. Em 2024, a A22 registara €720 mil de receitas e perdas de €5,49 milhões.
Por Que Importa
- Confirma o encerramento operacional do projeto Superliga, retirando pressão competitiva imediata sobre os atuais direitos e receitas da UEFA.
- A A22 queimou caixa com custos de pessoal de €1,26 milhões e aprovisionamentos de €645 mil em 2025, ilustrando o risco financeiro de projetos fora do ecossistema regulado.
- Apesar do colapso, a Superliga forçou a reforma da Liga dos Campeões (mais jogos e novo modelo de distribuição), com impacto direto em receitas de transmissão e prémios.
- O histórico mostra que iniciativas dissidentes podem alterar a negociação de valor com clubes e ligas, mesmo que não cheguem ao mercado.
Números
- Resultado operacional: -€2,69 milhões; resultado financeiro: -€465 mil; resultado líquido: -€3,16 milhões (2025).
- Perdas acumuladas 2024-2025: ~€8,65 milhões.
- Caixa: ~€2 milhões; fundo de maneio: ~€2 milhões (ativo corrente €2,36M vs. passivo corrente €249,7 mil).
- Fundos próprios: €1,98 milhões, incluindo €10,33 milhões em “outros instrumentos de capital próprio”.
Contexto
- A Superliga ambicionava >€4.000 milhões/época em receitas, prometendo maior previsibilidade financeira aos clubes fundadores.
- Em 2025, com Barcelona fora e Real Madrid a recompor relações com UEFA/EFC, o projeto ficou sem tração comercial e sem novas fontes de financiamento (valores não divulgados).
E agora?
- A curto prazo, consolida-se o status quo com o novo formato da Liga dos Campeões, beneficiando a UEFA na venda centralizada de direitos.
- Qualquer renascimento de uma liga dissidente exigiria alinhamento de grandes marcas-clube e um modelo regulatório aceite — ambos ausentes neste momento (não confirmado).