The Guardian revela termo de entendimento entre FIFA e fundadores da Superliga em 2020
Documento pré-contratual previa parceria de 12 anos, marca FIFA na competição e golden share para a federação; clube mundial anual articulado com a Superliga.
O que aconteceu
O The Guardian revelou que, em outubro de 2020, a FIFA e os clubes fundadores da Superliga europeia assinaram um termo de entendimento (term sheet, não vinculativo) para uma parceria de pelo menos 12 anos, que poderia rebatizar a competição com a marca FIFA e criar uma sociedade conjunta para exploração comercial. O plano atribuía à FIFA uma golden share (direito especial de veto) e articulava uma competição global de clubes anual de três semanas ligada à Superliga. Não está claro se o processo avançou além deste documento. Após o colapso público do projeto em abril de 2021, Gianni Infantino distanciou‑se em Montreux, dizendo “só posso desaprovar fortemente” a Superliga. A FIFA não comentou até ao momento.
Por Que Importa
- Uma parceria formal teria reposicionado a FIFA no centro do mercado dos direitos de clubes, criando novas linhas de receita e potenciais conflitos com a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA).
- A golden share daria à FIFA controlo sobre decisões estratégicas (calendário, formato, comercial), com impacto direto na venda de direitos de transmissão e em patrocínios globais.
- A proposta de competição global anual de clubes ampliaria inventário comercial e de audiências, mas pressionaria o calendário e diluiria valor de provas existentes.
- O uso da marca FIFA na Superliga poderia reduzir risco regulatório percebido e atrair investidores, apesar de forte oposição de ligas e adeptos.
Contexto
- O documento surge quando a FIFA é criticada por estudar (não confirmado) abertura a investimento privado.
- O lançamento da Superliga em abril de 2021, sem a FIFA, colapsou após protestos e saídas de clubes fundadores; desde então, os promotores ajustaram o conceito, mas a monetização permanece incerta.
Entre Linhas
- O código “WO1” para a FIFA e a estrutura de joint venture sugerem um modelo comercial pronto a avançar caso houvesse aceitação política e regulatória.
- A ausência de valores ou garantias no term sheet indica valores não divulgados e que o acordo estava em fase preliminar.