Mundial 2026 acelera disputa Adidas–Nike: moda, nostalgia e milhões em jogo
Da camisola retro de 1994 aos ‘sneakers’ de celebridades, as marcas usam o Mundial para vender fora do relvado enquanto direitos e patrocínios encarecem.
O que aconteceu
Adidas e Nike intensificaram a rivalidade no Mundial de 2026, apostando em produtos de moda e colaborações com celebridades para impulsionar vendas além do equipamento oficial. A Adidas relançou a camisola retro dos EUA de 1994 e ativou colaborações (ex.: Bad Bunny), enquanto a Nike respondeu com a campanha “Rip the Script” e presença reforçada em seleções como França, Brasil e Inglaterra. Estimativas da Bloomberg Intelligence apontam para €1,2 mil milhões em vendas da Adidas ligadas ao torneio.
Por Que Importa
- A Adidas, patrocinadora da FIFA desde há quase seis décadas, procura monetizar a interseção desporto–cultura, reduzindo dependência de camisolas/bolas e elevando margens via edições limitadas e retro.
- A Nike, com ações sob pressão, tenta reancorar a marca no desempenho desportivo para recuperar quota face a concorrentes de corrida (On, Hoka, New Balance) e reforçar receitas globais do futebol.
- Os custos de patrocínio sobem: acordo da Adidas com a FIFA até 2030 terá totalizado cerca de $800 milhões, sendo c. $120 milhões atribuídos a este Mundial (valores não confirmados oficialmente pela Adidas).
- Risco operacional: ruturas de stock (ex.: camisola da Argentina 2022) e decisões de produto (ex.: réplicas femininas) podem erosionar vendas e reputação em picos de audiência.
Números
- Adidas: €250 milhões de vendas relacionadas com o torneio no 1.º trimestre, com procura de vestuário a subir 31% ano/ano.
- Estimativa de €1,2 mil milhões em vendas no Mundial (Bloomberg Intelligence).
- Calçado Adidas em 2023: €14,2 mil milhões (+15% vs. 2022).
- Nike terá acordado fornecer a seleção da Alemanha a partir de 2027 por cerca de €100 milhões/ano (não confirmado pela Nike).
Contexto
- A Adidas capitaliza o efeito Messi/Argentina 2022 e a vaga retro (ex.: Samba e Trefoil em alternativas de seleções). Produtos com figuras culturais (Bad Bunny, Wales Bonner) elevam preço médio e urgência de compra.
- A Nike historicamente escalou no futebol desde 1998 (Brasil, Mercurial, publicidade icónica) e agora mistura estrelas extra-futebol (LeBron James, Kim Kardashian) para ampliar alcance.
- A Puma aposta em colaborações de moda (KidSuper, Salehe Bembury) e segmenta todos os “momentos” da equipa (viagem, treino, aquecimento) para alargar o cabaz de produtos.
Entre Linhas
- O trade-off orçamental é real: compromissos elevados no Mundial podem canibalizar investimento noutros segmentos (corrida), afetando a competitividade no resto do portefólio.
- O vínculo entre performance em campo e desejo por linhas lifestyle continua crítico: maus resultados das seleções patrocinadas reduzem o efeito halo sobre a coleção de moda.