CAS cria primeiro precedente sobre gravidez no futebol: Lazio condenada em caso Maja Gothberg

Tribunal Arbitral do Desporto confirma aplicabilidade dos Regulamentos de Maternidade da FIFA, reconhece relação laboral sem contrato assinado e impõe indemnização por despedimento e violação de confidencialidade médica.

27 jun 2026 • há 5 horas • Leitura original: FIFPRO
CAS cria primeiro precedente sobre gravidez no futebol: Lazio condenada em caso Maja Gothberg — FIFPRO

O que aconteceu

O Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) deu razão à sueca Maja Gothberg num caso inédito: considerou que a Lazio Women terminou de forma ilícita uma relação laboral devido à sua gravidez, impondo o pagamento de salários e danos morais. O acórdão afirma ainda que a informação de gravidez é dado médico confidencial e que os Regulamentos de Maternidade da FIFA (reforçados em 2024) são exequíveis. A disputa surgiu após uma época 2023/24 de promoção à Serie A, durante negociações para novo contrato, nunca formalizado por escrito.

Por Que Importa

  • Define um precedente vinculativo no topo da justiça desportiva, com impacto transversal nos contratos do futebol feminino e masculino: gravidez não pode justificar cessação de vínculo.
  • Reforça a segurança jurídica dos Regulamentos de Maternidade da FIFA, elevando o risco legal e financeiro para clubes que ignorem obrigações (indemnizações, salários em falta, danos morais).
  • Introduz um padrão de prova: estabelecida a relação laboral e a rutura unilateral, cabe ao clube demonstrar que a decisão não se deveu à gravidez.
  • Consolida a proteção de dados de saúde no contexto laboral do futebol: divulgação não autorizada pode gerar compensação financeira e sanções reputacionais.

Contexto

  • Apesar de não haver contrato assinado, o CAS entendeu existir acordo sobre termos essenciais e intenção mútua de continuidade, sustentados por mensagens (ex.: WhatsApp).
  • A queixa avançou para o CAS após decisão desfavorável na Câmara de Resolução de Litígios da FIFA, invertendo o desfecho em última instância arbitral.

Entre Linhas

  • O acórdão pressiona clubes a reverem processos de contratação (desde cartas de intenção a pré-contratos) e protocolos de confidencialidade clínica, reduzindo exposição a litígios.
  • Potencial efeito na gestão de plantéis e seguros: necessidade de coberturas específicas para gravidez e períodos de ausência, com impacto em prémios e orçamentos (valores não divulgados).

E agora?

  • Espera-se atualização de modelos contratuais para espelhar os Regulamentos de Maternidade e cláusulas claras de proteção de dados.
  • Federações e ligas poderão emitir orientações e formação obrigatória para departamentos jurídicos e de recursos humanos.
  • Clubes que dependem de acordos informais devem formalizar termos essenciais cedo para mitigar risco de litígios e custos imprevisíveis.

Se o formulário não aparecer, subscreva diretamente aqui.

Sem spam. Pode cancelar quando quiser. Ao subscrever aceita os Termos de Utilização da Substack, a Política de Privacidade e o Aviso de recolha de informação.