Tebas volta à carga: LaLiga quer jogo oficial na China
Após tentativas falhadas para Miami, o presidente Javier Tebas aponta agora ao mercado chinês para um encontro do campeonato espanhol fora de portas.
O que aconteceu
Javier Tebas, presidente da LaLiga (Liga espanhola de futebol profissional), reiterou a intenção de realizar um jogo oficial do campeonato fora de Espanha, desta vez na China. O anúncio foi feito no seminário “Geopolítica e Desporto”, organizado pelo Centro Superior de Estudos da Defesa Nacional (Ceseden) e pela LaLiga. É o terceiro ensaio após tentativas para Miami — incluindo o Villarreal–Barcelona agendado para 20 de dezembro no Hard Rock Stadium — terem sido canceladas por protestos e constrangimentos logísticos.
Por Que Importa
- Expansão de receitas internacionais: um jogo na China pode reforçar patrocínios locais, venda de bilhetes premium e direitos de transmissão, abrindo porta a novos acordos comerciais no maior mercado asiático.
- Audiências e valorização de marca: presença física no país pode impulsionar a notoriedade da LaLiga e dos seus clubes junto de adeptos e marcas chinesas, com potencial de crescimento de audiência digital.
- Precedente regulatório: apesar da decisão favorável à Relevent Sports em tribunal dos EUA, o enquadramento com Federação Internacional de Futebol (FIFA) e União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) continua sensível e pode condicionar replicação por outras ligas.
- Risco reputacional doméstico: perda de um jogo em casa e viagens longas penalizam sócios e adeptos locais, podendo afetar receitas de bilheteira e a relação com fãs em Espanha.
Contexto
- Em 2023/24, a proposta Villarreal–Barcelona em Miami foi travada após contestação de adeptos, questões logísticas e conflitos de calendário.
- Em Itália, a Liga Serie A estudou levar Milan–Como a Perth; a operação foi adiada e o jogo acabou por disputar-se em San Siro, ilustrando a complexidade operacional e política de exportar jornadas de campeonato (não confirmado noutros casos).
Entre Linhas
- Tebas sublinha contactos políticos na China e defende que internacionalizar jogos serve o “marca Espanha”, sugerindo alinhamento com objetivos de diplomacia económica.
- Logística, equilíbrio competitivo (perda de mando), e aceitação de reguladores e federações nacionais permanecem os maiores travões à execução.