Capital estrangeiro abranda no desporto espanhol apesar de operações de elite
Investimento direto cai 23,7% para 179,2 M€ em 2025, com retração no fitness e exceções como o Atlético de Madrid e o aluguer de artigos desportivos.
O que aconteceu
A entrada de capital estrangeiro no desporto em Espanha recuou em 2025 para 179,2 M€ (−23,7% face a 2024), o nível mais baixo em seis anos excluindo o período da Covid-19, segundo dados governamentais compilados pela 2Playbook. O segmento de atividades desportivas (clubes fora da elite, gestoras de instalações e cadeias de fitness) caiu 57,3%, para 99,2 M€. Em contraciclo, o aluguer de artigos desportivos e de lazer disparou para 78,1 M€. No topo, a época ficou marcada pela entrada da Apollo Sports Capital no Atlético de Madrid, assumindo 55% e avaliando o clube em cerca de 2.500 M€ (inclui dívida).
Por Que Importa
- Menor fluxo de capital pressiona projetos de expansão em fitness e infraestruturas, com impacto em emprego e rede de clubes e ginásios.
- Operações de elite, como no Atlético de Madrid, mostram que ativos com marca global continuam a atrair valorizações elevadas e financiamento para projetos imobiliários adjacentes.
- Mudança setorial: o aluguer de equipamento ganha tração, sugerindo procura por modelos de consumo flexíveis e capex (investimento em capital) mais leve para o utilizador final.
- Geografia do capital mantém-se anglófona: Reino Unido lidera com 108 M€; os Estados Unidos desaceleram fortemente para 10,8 M€.
Números
- Atividades desportivas: 99,2 M€ em 2025 (−57,3%); em 2024 tinham acumulado 232,5 M€.
- Gestoras de instalações: >7 M€; ginásios: 1,5 M€ (Icex).
- Retalho desportivo: 1,59 M€, após pico de 2023 com o controlo total da JD Sports sobre Sprinter e Sport Zone.
- Aluguer de artigos desportivos e de lazer: 78,1 M€ (vs. 1,26 M€ em 2024).
- Atlético de Madrid: 55% para Apollo Sports Capital; valorização ~2.500 M€ (inclui dívida); projeto Cidade do Desporto: >350 M€.
- Top investidores 2025: Reino Unido 108 M€; EUA 10,8 M€; Chipre 10,4 M€; Bélgica 9,7 M€; Colômbia 6,3 M€.
Contexto
- O ciclo 2022–2024 foi impulsionado por operações estruturais (ex.: fundos CVC na LaLiga) e grandes transações no fitness (Providence–VivaGym, JP Morgan–Forus). Em 2025 não houve acordos equivalentes em escala.
- No ciclismo, a Quantum Pacific Group adquiriu 43% do Movistar Team, reforçando competitividade no WorldTour.
E agora?
- Expectativa de seleção de ativos: marcas de topo e projetos com receita diversificada (matchday, media, imobiliário) deverão continuar a captar capital.
- Segmentos com ticket médio menor (aluguer) podem absorver capital enquanto as grandes cadeias de fitness reequilibram balanços e custos de financiamento.