Série A sonda fundos para vender até 49% da nova empresa de direitos internacionais
Até 30 investidores, de Apollo a Bain, mostram interesse. Meta: duplicar receitas externas de ~€250M/ano para >€500M.
O que aconteceu
A Liga Série A (Itália) reactivou a ideia de vender uma participação minoritária, até 49%, numa nova sociedade (newco) que concentrará os direitos audiovisuais internacionais. Segundo o Il Sole 24 Ore, c. 30 investidores do universo media e capital de risco, entre Apollo Global Management, Ares, Advent, Bain Capital, Sixth Street e Apax Partners, manifestaram interesse após contactos iniciais conduzidos pela JP Morgan. O objectivo declarado é duplicar rapidamente as receitas externas, hoje na ordem dos €250 milhões/ano.
Por Que Importa
- Injecção de capital e know-how pode acelerar a valorização dos direitos internacionais, onde a Série A fica atrás de Premier League e LaLiga.
- Modelo de partilha de receitas futuras e acordo plurianual pode estabilizar fluxos de caixa dos clubes e melhorar planeamento de orçamentos e investimentos.
- A intermediação da JP Morgan e o apetite de grandes fundos indicam condições de mercado para uma avaliação robusta, ainda que com valores não divulgados nesta fase.
- Maior competitividade na venda internacional pode mitigar a concorrência de outras ligas e reduzir a dependência das receitas domésticas.
Contexto
- Entre 2020-2021, a Liga estudou uma media company para direitos (sobretudo domésticos), com proposta de €1,7 mil milhões por 10% liderada pela CVC, que acabou chumbada pelos clubes.
- Hoje a proposta restringe-se aos direitos internacionais, considerados o ponto fraco do futebol italiano face a rivais europeus.
- A Série A conta com 11 propriedades estrangeiras (oito norte‑americanas), tendencialmente favoráveis à entrada de private equity se houver liquidez e visão de longo prazo.
E agora?
- Definir a percentagem exacta, o preço e a governança da newco, bem como o perímetro dos direitos e prazos (não confirmado).
- Desenhar uma estratégia comercial para elevar as receitas para >€500M/ano, incluindo territórios prioritários, parceiros de transmissão (emissão/plataformas de transmissão online) e combate à pirataria.
- Garantir alinhamento político entre clubes para evitar a repetição do impasse de 2021.