PwC: formatos curtos e “desportos emergentes” ganham tração entre jovens, detentores de direitos e investidores
Relatório da PricewaterhouseCoopers aponta mudança estrutural no consumo: conteúdos curtos, centrados em personalidades e com maior controlo de propriedade intelectual atraem capital e audiência.
O que aconteceu
A PricewaterhouseCoopers (PwC) publicou o relatório “Emerging Sports: Market and Business Model Assessment”, concluindo que as novas gerações preferem conteúdos desportivos de formato curto, personalizados e impulsionados pela comunidade. Detentores de direitos e investidores estão a deslocar capital e foco para formatos emergentes, num contexto de pressão sobre receitas tradicionais de transmissão e patrocínios.
Por Que Importa
- Pressão nas fontes de receita clássicas (direitos de emissão e patrocínios) está a acelerar a inovação de formatos e a diversificação de produtos para captar públicos mais jovens.
- Investidores privilegiam propriedades com maior controlo de propriedade intelectual, escalabilidade digital e menor investimento inicial, melhorando o potencial de retorno do investimento (ROI).
- A audiência nuclear dos desportos de massas envelheceu (média ~50 anos), pelo que capturar <45 anos é crítico: até 2045, ~85% da população estará nesse grupo etário, segundo a PwC.
- Mercados como Médio Oriente, China e Índia mostram maior abertura a conceitos novos, podendo tornar-se polos de crescimento e teste destes modelos.
Números
- A Kings League (projecto de Gerard Piqué) encerrou 2024 com €40 milhões de receitas, o dobro dos €20 milhões de 2023, ilustrando a tração comercial de formatos curtos e nativos digitais.
Contexto
- O consumo jovem favorece conteúdos curtos e centrados em personalidades, reduzindo a primazia do visionamento longo como “experiência premium”.
- No ecossistema das raquetas, a PwC identifica espaço para formatos complementares ao ténis tradicional; exemplo: Tie Break Tens, apoiado pela Federação Internacional de Ténis (ITF), que simplifica o produto para captar novas audiências.
E agora?
- Detentores de direitos deverão testar produtos modulares (curadoria de clipes, eventos rápidos, formatos de fim‑de‑semana) e pacotes comerciais híbridos para monetizar plataformas de transmissão online e redes sociais.
- Expectável concorrência acrescida por patrocínios “baixa exposição reputacional” em propriedades emergentes, com métricas claras de custo por mil (CPM) e conversão.
- Investimento continuará a privilegiar activos com IP forte, dados proprietários e multiplicação de receitas (bilhética ágil, comércio electrónico, licenciamento).