Liga dos Campeões 2025/26: nova fase‑liga intensifica prémios por mérito sem quebrar a hierarquia
Dois anos após a reforma, a fase‑liga comprime diferenças entre lugares com o mesmo desfecho competitivo e aumenta o peso financeiro de margens mínimas, mantendo a primazia dos gigantes europeus.
O que aconteceu
A segunda época completa do novo modelo da Liga dos Campeões da UEFA (fáse‑liga com 36 equipas) mostra que a reforma reforça a relevância competitiva até à última jornada e redistribui pressão desportiva, sem alterar a hierarquia financeira: os clubes de topo continuam a dominar receitas e progressão. Estimativas indicam que Bayern, Manchester City, Liverpool e Arsenal superaram €96M só na fase‑liga, enquanto casos como Sporting CP (7.º) e Atalanta (15.º) aproximaram‑se dos gigantes graças ao desempenho em campo.
Por Que Importa
- Estrutura de prémios combina uma taxa fixa (€18,62M) com parcelas por resultados e pelo “valor” histórico (coeficiente), premiando mérito mas conservando vantagem dos habituais.
- Diferenças de receita entre clubes com o mesmo desfecho competitivo são comprimidas: por ex., Real Madrid (~€81M) vs. Benfica (~€54M) apesar de posições distintas.
- Para mercados menores, mínimos acima de €20M são transformacionais, influenciando salários, transferências e planeamento; mas aumentam a exposição ao risco se a qualificação não for sustentada.
- A decisão concentrada na última jornada eleva audiências e valor de transmissão (não confirmado), alinhando incentivos desportivos e comerciais.
Números
- Taxa fixa por participante: €18,62M; topo estimado da fase‑liga: >€96M (Bayern, Man. City, Liverpool, Arsenal).
- Real Madrid (9.º) ~€81M; Benfica (top‑24 com golo decisivo de Trubin) ~€54M; diferença ~€27M.
- Apenas 6/36 equipas chegaram à última jornada sem objetivos; na última época de grupos eram 20/32.
Contexto
- O “pilar de valor” ligado ao coeficiente permite que clubes historicamente fortes retenham maior parcela, mesmo com desempenho semelhante aos rivais.
- Relação valor de plantel vs. posição manteve‑se: 7 dos 9 plantéis mais valiosos ficaram no top‑9; ainda assim, houve desvios — Sporting CP superou a sua escala financeira; Qarabağ e Bodø/Glimt avançaram aos play‑offs com dos menores orçamentos.
- Dependência de receitas europeias reforça hegemonias domésticas, sobretudo em ligas menores, e consolida vantagens estruturais também nas maiores.
E agora?
- Desafio para clubes médios/pequenos: integrar receitas voláteis europeias em planos plurianuais, evitando decisões de curto prazo.
- Para organizadores, a fase‑liga cumpre o objetivo de prolongar relevância competitiva; o próximo teste será ajustar critérios de distribuição para mitigar concentração sem penalizar mérito.