DBRS Morningstar: estagnação dos direitos de transmissão força clubes a apostar em estádios e patrocínios até 2029
Agência de rating prevê peso recorde de receitas comerciais e de dia de jogo, com a Liga espanhola como rara exceção na valorização televisiva. Regulamentação da UEFA sustenta disciplina financeira.
O que aconteceu
A DBRS Morningstar analisou a evolução das receitas dos clubes europeus entre 2022/23 e 2028/29 e concluiu que a estagnação dos direitos de transmissão está a deslocar o crescimento para receitas comerciais e de dia de jogo ligadas aos estádios. No cenário traçado, a Liga em Espanha é exceção, com novo ciclo nacional a subir 9% face ao anterior, embora abaixo da inflação do período.
Por Que Importa
- Mudança estrutural de mix de receitas: em 2028/29, os clubes deverão gerar 43% em comercial, 30% em matchday, 16% em direitos domésticos e 8% em direitos UEFA, reduzindo a dependência televisiva.
- Investimento em estádios impulsiona naming rights (direitos de nome) e patrocínios correlacionados; clubes com arenas renovadas superam pares e mitigam a volatilidade dos media.
- Regras de Sustentabilidade Financeira da UEFA reforçam a disciplina (rácio de custos do plantel e regras de resultados do futebol), fator chave para perfis de crédito e custo de capital.
- França sob risco: menor disciplina doméstica e colapso dos direitos media elevam a necessidade de vendas de jogadores para reequilibrar contas.
Números
- Projeção 2028/29: Comercial 43% (36% em 22/23); Matchday 30% (20%); Direitos TV domésticos 16% (25%); Direitos TV UEFA 8% (15%); Outros 3%.
- Crescimento esperado: direitos de transmissão ~2%/ano; comercial em médio dígito; matchday em alto dígito.
- Clubes com estádios renovados: +16,3% de receitas em 4 anos pós-obras vs +7,2% nos restantes.
- Espanha: direitos nacionais +9% no novo ciclo quinquenal (ainda abaixo da inflação acumulada, dois dígitos).
- Janeiro pós-Mundial 2022: aquisições líquidas nos 5 grandes campeonatos ~€600M, vs ~€300M (jan/2022) e ~€350M (jan/2024).
Contexto
- 2026 permanece desafiante para emitentes sem apoio das ligas e com estruturas de custos desalinhadas.
- Ligue 1 permite despesa acima dos meios com suporte dos proprietários, desde que haja liquidez para terminar a época — dependência que fragiliza o crédito quando os direitos media caem.
- Em Portugal, SL Benfica e Sporting CP são referências na geração de mais-valias sustentáveis via formação e vendas; em França, espera-se foco em cessações em 2025/26 para aliviar a massa salarial.
E agora?
- Mundial FIFA 2026 deverá ser catalisador para um mercado de transferências mais líquido, com reavaliação de jogadores a favorecer mais-valias e reforço de balanços.
- Para os credores, a atividade pós-Mundial será variável crítica: afeta visibilidade de fluxos de caixa e métricas de alavancagem do setor.