WSL conquista o Japão: conteúdo, dados e direitos impulsionam nova vaga de adeptos
Everton e a Liga Feminina inglesa capitalizam o boom japonês via YouTube, jogadoras nipónicas e acordos de transmissão com a U-Next.
O que aconteceu
A Liga Feminina inglesa (Women’s Super League, WSL) descobriu no Japão um mercado inesperado: a aposta em conteúdos digitais e na presença de jogadoras nipónicas levou a fortes audiências no YouTube em 2024-25 e acelerou a venda de direitos para a plataforma japonesa U‑Next. O Everton, com quatro internacionais japonesas, viu o tráfego para as suas páginas femininas crescer 33% a partir do Japão e registou picos de visualizações em YouTube, TikTok e Instagram.
Por Que Importa
- Direitos e distribuição: dados do YouTube sustentaram a negociação de direitos com a U‑Next (via Pitch International), reforçada pela rede da IMG, com 13 emissoras internacionais a transmitir a WSL em 2025-26.
- Receita e internacionalização de clubes: o Everton está a converter audiência japonesa em compras, subscrições do Everton TV e comunidade de sócios/adeptos — um funil com potencial de lifetime value elevado.
- Prova de conceito “atleta → mercado”: nomes como Fuka Nagano impulsionam vendas de camisolas; a representação japonesa (19 jogadoras no 1.º semestre de 24-25) cria procura local e abre portas a patrocínios com marcas japonesas.
- Sinergia de ecossistema: a WSL beneficia do alcance global da Premier League e da inclusão no videojogo EA Sports FC, que aumenta a descoberta e a propensão a gastar (merchandising, subscrições, social).
Números
- Japão representou 21% da audiência no Everton–Brighton (início de 24-25) e 27% no Manchester City–West Ham (out. 2024); o Reino Unido foi 40% e 28%, respetivamente.
- 76% da audiência televisiva da WSL na época passada veio de fora do Reino Unido.
- Tráfego do Japão para páginas do Everton Women: +33%.
- A WSL enviou mais jogadoras ao Mundial 2023 do que qualquer outra liga.
Contexto
- A disponibilidade gratuita/aberta no YouTube onde não há acordos locais, combinada com jogadoras japonesas em clubes de topo (Everton, Manchester City, Manchester United, Chelsea), criou um ciclo de descoberta → audiência → direitos → receitas.
- O Grupo City reforça a ponte com o Japão via Yokohama F. Marinos e tournées, ajudando a popularidade do Manchester City Women no país.
E agora?
- Clubes sem Lionesses podem diferenciar-se com estratégias de mercado-alvo (Japão, EUA, Austrália), ativando jogadoras locais, conteúdos em língua nativa e produtos/licenças dedicadas.
- A WSL pode expandir acordos regionais (não confirmado) usando métricas digitais como prova de audiência e pacotes comerciais combinados com clubes.