UEFA travou fundo pós‑Covid; clubes pagam mais de €200 milhões/ano em juros, estima a McKinsey
Plano de €7 mil milhões em empréstimos baratos foi abandonado em 2021. Clubes recorreram a financiamentos privados com taxas muito superiores.
O que aconteceu
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) abandonou em 2021 um fundo de apoio pós‑pandemia que previa até €7 mil milhões em empréstimos a clubes a taxas reduzidas, garantidos por direitos de transmissão da Liga dos Campeões e Liga Europa. Segundo a consultora McKinsey, a decisão estará a custar aos clubes mais de €200 milhões por ano em encargos adicionais, por terem recorrido a financiamento privado a juros mais elevados. A Citigroup era o banco âncora do desenho inicial.
Por Que Importa
- Sem o mecanismo centralizado, os clubes perderam poder negocial e pagam juros significativamente acima do c. de 1% que a UEFA acreditava poder obter com garantia de direitos televisivos.
- O acréscimo de >€200 M/ano em custos financeiros reduz margem para salários, transferências e investimento em infraestruturas.
- O vazio foi ocupado por financiadores alternativos (Ares, Apollo, PGIM), reforçando a dependência de dívida privada e a exposição a condições mais duras.
- Maior custo da dívida pode pressionar regras de sustentabilidade financeira e afetar competitividade entre clubes com diferentes perfis de risco.
Contexto
- A pandemia provocou uma quebra de receitas estimada em vários milhares de milhões de euros nos clubes europeus.
- O plano da UEFA previa captar dívida barata (c. 1%) com colateral de direitos de emissão/transmissão e reemprestá‑la aos clubes; acabou travado por dúvidas internas sobre a sua complexidade.
- Exemplo de mercado: o Nottingham Forest fechou com a Apollo um empréstimo de £80 M (~€90,5 M) a 8,75%, ilustrando o diferencial face ao custo-alvo do esquema UEFA.
Entre Linhas
- A ausência de um veículo central pode ter transferido valor dos clubes para financiadores, via spread de juros, estimado pela McKinsey em >€200 M/ano.
- Eventual retoma de um modelo semelhante dependeria de consenso político dentro da UEFA e de um enquadramento de risco mais claro para os direitos de transmissão (não confirmado).