Privatização do futebol saudita enfrenta salários superiores às receitas dos clubes
Um relatório da Alvarez and Marsal aponta a dependência de patrocinadores nacionais e a limitada receita televisiva como obstáculos à atração de investidores.
O que aconteceu
Os clubes da Saudi Pro League enfrentam pressão para obter financiamento privado, mas os salários têm frequentemente superado as receitas, segundo um relatório da Alvarez and Marsal. O Fundo de Investimento Público saudita (PIF) começou a reduzir as suas participações nos quatro principais clubes que controla, num setor historicamente financiado pelo Estado.
Por Que Importa
- Os direitos de transmissão nacionais renderam cerca de 80 milhões de dólares à Saudi Pro League em 2024/25, segundo o relatório, contra 4,5 mil milhões de dólares distribuídos aos clubes da Premier League inglesa.
- A dependência de receitas comerciais e de patrocínios nacionais expõe os clubes à dimensão e à estabilidade desse mercado, dificultando a justificação de despesas elevadas perante potenciais compradores.
- No verão de 2026, os clubes sauditas gastaram 407 milhões de dólares em transferências internacionais e receberam 105 milhões de dólares em vendas de jogadores: um saldo negativo de cerca de 302 milhões de dólares, de acordo com dados da Federação Internacional de Futebol (FIFA).
Contexto
- Em abril, o PIF assinou um acordo para vender 70% do Al-Hilal à Kingdom Holding Company. A operação avaliou o clube em 373 milhões de dólares, mas o texto não confirma a conclusão da venda.
- Ibrahim Almoaiqel, responsável pelo investimento e privatização no ministério saudita do Desporto, afirmou em junho que mais de 40 investidores tinham manifestado formalmente interesse em participações em clubes do país.
Entre Linhas
- A Alvarez and Marsal considera que os clubes precisam de demonstrar receitas comerciais sustentáveis para atrair investimento. Aponta ainda o financiamento garantido por futuros pagamentos de patrocínios e as obrigações conformes à lei islâmica como possíveis fontes de capital.