FIFPRO: 59% das futebolistas ponderam sair mais cedo por razões financeiras
Estudo com 800 atletas aponta salários em atraso, apoio insuficiente nos clubes e dificuldades de saúde mental, apesar do crescimento do futebol feminino.
O que aconteceu
Um estudo da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (FIFPRO), divulgado em 12 de outubro e que inclui Portugal, aponta uma distância entre o crescimento do futebol feminino e as condições de trabalho das atletas. Entre as 800 futebolistas entrevistadas, 59% admitiram antecipar a saída da modalidade por razões financeiras e 24% relataram salários em atraso nas duas últimas épocas.
Por Que Importa
- O salário mensal médio pago pelos clubes às futebolistas terá triplicado desde o primeiro estudo, em 2017, para 2 237 euros, mas a FIFPRO considera que os benefícios não chegam de forma equitativa às jogadoras.
- 47% afirmaram que os seus clubes não dispõem de uma equipa de apoio suficiente, uma lacuna nas condições de trabalho que acompanha a expansão da modalidade.
- 46% relataram tensão psicológica associada ao futebol; a FIFPRO defende apoio psicológico obrigatório e normas mínimas para remuneração, instalações e assistência médica.
Números
- 78% das entrevistadas têm contrato de trabalho, com duração média de um ano e seis meses.
- O salário mensal médio indicado é de 5 547 euros nos Estados Unidos e 3 425 euros na Europa Ocidental.
- 39% apontaram a falta de medidas de conciliação entre trabalho e família como motivo para ponderar uma saída antecipada.
Contexto
- A FIFPRO também defende proteção na gravidez e na licença parental. Segundo o estudo, a proporção de jogadoras que ponderam abandonar a modalidade para serem mães desceu de 47% para 19% desde 2017.