LFP afina estratégia para direitos: Ligue 1+ mantém-se, mas retorno a TV tradicional em estudo
Liga francesa quer reforçar receitas após crise de direitos; plataforma própria segue como pilar estratégico e moeda de troca em futuras negociações.
O que aconteceu
A Liga de Futebol Profissional francesa (LFP) lançou a sua plataforma direta ao consumidor (plataforma de transmissão online, DTC) Ligue 1+ em 2025, após o colapso do mercado doméstico de direitos. Apesar de conversas preliminares com operadores para um concurso de direitos a arrancar apenas em 2029/30, a LFP garante que a Ligue 1+ continua central: serve como distribuição principal hoje e como ativo estratégico numa futura negociação.
Por Que Importa
- A LFP procura reacender a faturação de transmissão após anos de quedas, testando pacotes mais rentáveis e mantendo a opção DTC para retorno do investimento (ROI) e controlo de dados.
- A Ligue 1+ já gerou €142 M para clubes na época passada, somando a €78,5 M da BeIN Sports e €85 M de compensação da DAZN; ainda assim, fica longe dos >€1.000 M/ano que LaLiga, Bundesliga e Premier League obtêm só no mercado doméstico.
- O DTC expõe os detentores de direitos a maior risco comercial (marketing, tecnologia, serviço ao cliente) e a pirataria elevada em França, que a LFP estima em “centenas de milhões” de euros perdidos (não confirmado).
- Manter a Ligue 1+ robusta melhora o poder negocial: pode servir como alternativa, solução internacional e base de dados própria para segmentação e preços.
Contexto
- DAZN rescindiu cedo um acordo de cinco anos avaliado em €400 M/ano, após fraca tração, agravando a crise iniciada com o colapso do contrato de €3,25 mil M/4 anos com a Mediapro.
- Relações deterioradas com a Canal+ limitaram concorrência; a Amazon foi relutante em reforçar presença. A LFP investiu parte dos €100 M de compensação da DAZN para lançar a Ligue 1+ (8 jogos/jornada, €14,99/mês anual; €19,99 mensal; €9,99 sub-26 anos).
- Em mês inicial, a plataforma atingiu 1 M de subscritores e firmou acordos de distribuição com Orange, Free e Amazon Prime Video, com partilha de receitas.
Números
- Receita clubes 23/24: €142 M (Ligue 1+) + €78,5 M (BeIN) + €85 M (DAZN, pontual).
- Base média 23/24: 1,1 M subscritores; ambição: 2 M.
- Mercado de transferências verão: clubes franceses gastaram €522 M e encaixaram €894 M; Premier League: €4.1 mil M.
E agora?
- Opções na mesa: aumento de preço (agora com 9 jogos/jornada num só serviço), novos acordos de transporte — incluindo eventual reaproximação à Canal+ — e combate reforçado à pirataria.
- Modelos híbridos em estudo: garantia mínima + partilha de receitas com um operador que distribua a Ligue 1+ em regime grossista; concurso formal de direitos só para 2029/30.
- A experiência DTC já cria valorização futura dos direitos e uma rede de segurança negocial caso não surjam propostas "grandes" (ex.: oferta de €1.000 M citada como cenário ideal, não confirmado).