Desporto feminino no ecrã: dirigentes e media pedem crédito fiscal para produção televisiva

FA, RFU e ECB juntam-se a Sky, ITV e YouTube para pressionar o Tesouro britânico a estender os créditos de despesa audiovisual à produção em direto do desporto feminino, visando mais transmissões e retorno económico.

4 set 2026 • há 19 horas • Leitura original: The Guardian / Matt Hughes
Desporto feminino no ecrã: dirigentes e media pedem crédito fiscal para produção televisiva — The Guardian / Matt Hughes

O que aconteceu

Chefes executivos da Federação Inglesa de Futebol (FA), Rugby Football Union (RFU) e England and Wales Cricket Board (ECB), em conjunto com principais canais e plataformas — entre eles Sky Sports, ITV e YouTube — enviaram uma carta ao ministro das Finanças britânico a pedir a extensão do regime de crédito de despesa audiovisual (AV Expenditure Credit) à produção em direto do desporto feminino. A iniciativa coincidiu com o arranque da Women’s Super League (WSL). A BBC, que decidiu cancelar o programa semanal de resumos “The Women’s Football Show”, não subscreveu a carta.

Por Que Importa

  • A proposta visa reduzir custos de produção e destravar mais jogos em direto, aumentando a oferta num mercado congestionado e com baixa quota de audiência feminina (13%).
  • O grupo alega retorno direto para o erário de £1,40 por cada £1 investido e benefícios indiretos estimados em €7,57 mil M (£6,5 mil M) até 2035, via ganhos económicos e de saúde pública.
  • A WSL, apesar de ser a 2.ª liga mais rica do desporto feminino, enfrenta dependência de cofinanciamento de produção (ex.: apoio da WSL e da RFU à BBC), sinal de fragilidade no modelo atual de transmissão.
  • Incentivos fiscais podem criar um “círculo virtuoso”: financiamento mais fácil, melhor qualidade de produção, maior visibilidade e valorização comercial de direitos e patrocínios.

Contexto

  • O regime atual concede até 53% de alívio fiscal a cinema independente e televisão infantil; os signatários querem incluir a produção ao vivo do desporto feminino.
  • Todas as partidas da WSL terão emissão no Reino Unido esta época; jogos da segunda divisão serão disponibilizados no YouTube (plataforma de transmissão online) — mas sem o magazine semanal da BBC.
  • A candidatura conjunta Reino Unido-Irlanda ao Mundial Feminino de 2035 aguarda ratificação pela FIFA (não confirmado), reforçando a urgência de ampliar audiências e capacidade produtiva.

Entre Linhas

  • A ausência da BBC entre os signatários — apesar de receber subsídios de produção em algumas competições — expõe tensões sobre partilha de custos e prioridades editoriais.
  • O rácio de visualização (13%) indica “falha de mercado”: crescimento concentra-se em grandes torneios, faltando cobertura regular para sustentar valor comercial durante toda a época.

Prefere o site? Subscreva diretamente na Substack.

Sem spam. Pode cancelar quando quiser. Ao subscrever aceita os Termos de Utilização da Substack, a Política de Privacidade e o Aviso de recolha de informação.