Brasil 2027: o Mundial feminino como alavanca para o negócio do futebol na América do Sul

A um ano do arranque, a oportunidade é transformar audiência em investimento, patrocínios e liga duradoura — com legado para além dos estádios cheios.

26 jun 2026 • há 9 horas • Leitura original: Asli Pelit / The Athletic
Brasil 2027: o Mundial feminino como alavanca para o negócio do futebol na América do Sul — Asli Pelit / The Athletic

O que aconteceu

Em 2027, o Brasil acolhe o 10.º Mundial de Futebol Feminino da FIFA, o primeiro na América do Sul, com jogos em oito cidades e campanha de promoção apoiada por figuras como Marta, Debinha, Amandinha, Vinícius Júnior e Kaká. Após amistosos com os EUA que reuniram mais de 30 mil adeptos por jogo e o recorde sul‑americano de 42 mil no título do Corinthians em 2023, intensifica‑se a expectativa de transformar o evento em crescimento estrutural do futebol feminino.

Por Que Importa

  • Receitas e patrocínios: um Mundial bem‑sucedido pode desbloquear novos acordos comerciais e elevar o preço de direitos de emissão/transmissão (televisão e plataformas de transmissão online), replicando o efeito de 1999 nos EUA.
  • Infraestruturas prontas reduzem custo incremental: estádios, aeroportos e hotelaria herdados de 2014 baixam risco operacional e favorecem retorno do investimento (ROI) para patrocinadores e operadores turísticos.
  • Efeito na liga e no talento: maior visibilidade pode reter jogadoras que hoje saem por melhores salários e condições, reforçando a competitividade das competições nacionais.
  • Mudança cultural como activo económico: aumento de audiências e de adeptas/os amplia base de consumo (bilhética, merchandising, direitos), criando um fluxo de receitas mais estável.

Contexto

  • A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organiza 9 competições femininas: Supertaça, Taça do Brasil e Brasileirão (Divisões I–III), além de Sub‑20, Sub‑17 e ligas de desenvolvimento Sub‑16 e Sub‑14.
  • O Mundial foi atribuído por votação aberta no 74.º Congresso da FIFA, após experiência do Brasil em mega‑eventos (Mundial masculino 2014), com Rio e outras cidades habituadas a grandes afluências.
  • O futebol feminino foi proibido no Brasil entre 1941 e 1979; a actual expansão enfrenta ainda sub‑investimento face à Europa e América do Norte.

Entre Linhas

  • Legado competitivo requer plano plurianual: centralização de direitos, mínimos salariais, requisitos de centros de treino e incentivos fiscais/estaduais (não confirmado) podem ser decisivos para fixar talento.
  • Janela de 12 meses para fechar pacotes comerciais: naming de cidades‑sede, hospitalidade, marketing de influência e conteúdos editoriais que contem “histórias” das jogadoras serão chave para conversão de audiência em receita.

E agora?

  • Definir métricas de legado: metas para público médio das ligas, valores não divulgados de patrocínios a atingir e percentagem de jogos televisivos/streaming pós‑Mundial.
  • Alavancar ídolos nacionais em campanhas 360º e programas escolares para aumentar a participação e o funil de talento.
  • Negociar acordos de direitos internacionais para o Brasileirão Feminino enquanto a atenção global está em alta.

Se o formulário não aparecer, subscreva diretamente aqui.

Sem spam. Pode cancelar quando quiser. Ao subscrever aceita os Termos de Utilização da Substack, a Política de Privacidade e o Aviso de recolha de informação.