Quebra de receitas na Ligue 1 agrava espiral financeira e ameaça estatuto de “top 5”

Receitas médias caem para €120,3M e perdas sobem para €459M; incerteza nas transmissões domesticas e fim do impulso da CVC pressionam salários e estratégia dos clubes.

25 mai 2026 • há 10 horas • Leitura original: Off The Pitch
Quebra de receitas na Ligue 1 agrava espiral financeira e ameaça estatuto de “top 5” — Off The Pitch

O que aconteceu

As contas mais recentes dos clubes da Ligue 1 mostram uma queda acentuada das receitas médias de €141,7M (2023/24) para €120,3M (2024/25), enquanto os custos apenas recuam ligeiramente de €157,2M para €153M. As perdas combinadas disparam para €459M (face a €164M no ano anterior). A Direção Nacional de Controlo e Gestão (DNCG) instruiu os clubes a orçamentarem €0 de receitas domésticas de transmissão a partir de 2025/26, num contexto de colapso de acordos com DAZN e BeIN Sports e lançamento do canal próprio Ligue 1+.

Por Que Importa

  • Pressão imediata em tesouraria e maior dependência do financiamento dos proprietários para cobrir salários e recrutamento, sob risco de cortes que fragilizam competitividade e receitas futuras.
  • Transmissões: mercado doméstico enfraquecido; a solução Ligue 1+ sinaliza dificuldade em monetizar direitos junto de operadores, elevando incerteza de fluxos previsíveis.
  • Modelo assente em vendas de jogadores: lucros de transferências crescem, mas servem cada vez mais para cobrir perdas estruturais, aumentando volatilidade.
  • Risco de perda de estatuto entre as grandes ligas europeias, com Primeira Liga, Eredivisie e Pro League belga a ganhar terreno em audiências, receitas e desempenho europeu.

Números

  • Receitas médias: €120,3M (↓ de €141,7M).
  • Custos médios: €153,0M (↓ de €157,2M).
  • Perdas agregadas: €459M (↑ de €164M).
  • Massa salarial média: €97,1M (↓ de €103,6M).
  • Receitas médias de transmissão: €40,4M (↓ de €44,8M); DNCG: orçamento com €0 doméstico em 2025/26.
  • Acordo CVC: €1,5 mil milhões; cerca de €1,2 mil milhões distribuídos aos clubes, com tranches antecipadas e efeito a esvair-se em 2024/25.
  • Casos de estudo: Lille com lucro de €81M (impulsionado pela UEFA Champions League); Lyon com –€201M; Marselha com –€104,7M; Stade Rennes: €118,8M em mais‑valias de vendas mas –€27M líquido.

Contexto

  • O peso do Paris Saint‑Germain distorce médias (receitas muito acima do resto), amplificando diferenças internas.
  • Projetada reforma de governação em França segue para o parlamento (18 de Maio), incluindo eventual reforço do papel da Federação e criação de sociedade detida pelos clubes; impacto financeiro imediato não confirmado.

E agora?

  • Clubes enfrentam escolha entre cortes salariais e manutenção de competitividade via injeções de capital dos acionistas.
  • Sustentabilidade passará por diversificar receitas (matchday, comercial, internacional) e melhorar previsibilidade dos direitos de transmissão, enquanto a Ligue 1+ procura tração num mercado adverso.

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