Expansão da multipropriedade de clubes abranda após anos de alta; consolidação ganha terreno
Base de dados da Off The Pitch mostra crescimento residual desde 2024/25; quedas, colapsos e menos ativos disponíveis travam novos negócios, enquanto investimentos concentram-se em clubes já integrados em redes
O que aconteceu
A Off The Pitch indica que o crescimento das estruturas de multipropriedade de clubes (MCO) no topo do futebol global estagnou em 2025/26. Existem 84 MCOs com pelo menos um clube nas 25 principais ligas, detendo participações em 210 clubes — apenas +1,5% face a 2024/25 (81 MCOs/207 clubes). Casos como a pausa da Fenway Sports Group na aquisição de um segundo clube e a colocação da holding da Eagle Football em administração reforçam a mudança de ciclo.
Por Que Importa
- Menor expansão limita a procura por ativos “livres”, pressionando avaliações e termos de negócio; a atividade desloca-se para consolidação dentro de redes existentes.
- A redução de transações relacionadas com MCO na Europa (dados UEFA) aproxima-se de mínimos desde 2018, sinalizando um arrefecimento do investimento e maior seletividade de capital.
- Colapsos (ex.: 777 Partners, Pacific Media Group) e rebaixamentos afetam a composição do topo das ligas, aumentando o risco regulatório e reputacional para investidores e patrocinadores.
- O aumento de clubes com ligações a mais de uma MCO (de 24 para 28; investimentos de 54 para 65, +20%) eleva a complexidade de governança e conflitos de interesse, relevante para reguladores e direitos de competição europeia.
Números
- 2021–2023: +70 clubes integrados em MCOs de topo; 2023–abr/2026: +33 clubes.
- Crescimento do nº de MCOs: +27% em 2021/22 vs. <4% em 2025/26.
- Se 10 clubes ligados a grupos colapsados fossem excluídos, o total cairia para 81 MCOs/200 clubes — de estagnação para declínio.
Contexto
- A saída da Aspire Foundation (venda do KAS Eupen) dissolveu essa MCO; o clube belga foi depois adquirido pela Qatar Sports Investments (QSI), que também detém maioria no Paris Saint‑Germain e uma posição minoritária no SC Braga.
- A visão de mercado diverge: para Erich Mosley (Inner Circle Sports), o abrandamento reflete menos oportunidades disponíveis após anos de aquisições, não uma quebra estrutural de interesse. O modelo permanece de longo prazo, com provável concentração nos “operadores de topo”.
Entre Linhas
- Promoções e rebaixamentos moldam o perímetro da amostra (inclui apenas as 25 ligas principais e segundas divisões do “top‑5” europeu). As variações de presença MCO podem refletir movimentos competitivos mais do que estratégia pura de investimento.