Relatório da PwC alerta para queda nos direitos de media no desporto
Inquérito global a 500 executivos prevê abrandamento nos direitos de transmissão e aceleração de modelos direct‑to‑consumer, com a Premier League a testar plataforma própria em Singapura.
O que aconteceu
A PwC divulgou o Global Sports Survey, com respostas de mais de 500 executivos, indicando que, nos próximos 3–5 anos, todas as fontes de receita do desporto devem crescer, exceto os direitos de media (transmissão). O estudo cita a fragmentação do consumo entre adeptos mais velhos (televisão) e mais novos (redes sociais, criadores e formatos interactivos). A Premier League é apontada como exemplo de reajuste, inclusive com a preparação de um serviço de plataforma de transmissão online (streaming) direto ao consumidor em Singapura ainda este ano.
Por Que Importa
- Pressão sobre receitas garantidas: a estagnação/queda dos direitos de emissão exige novos motores de crescimento (adeptos, patrocínios, bilhética, dados e comércio digital).
- Mudança de modelo: direct‑to‑consumer pode aumentar margem e controlo de dados, mas traz custos de tecnologia, aquisição de utilizadores e churn (não confirmado em valores).
- Publicidade e patrocínios seguem a audiência: formatos curtos e conteúdo de criadores podem elevar o retorno do investimento (ROI) se bem segmentados, mas reduzem previsibilidade face aos pacotes lineares.
- Valorização de activos: apesar da pressão nos media, a PwC prevê +7%/ano para a indústria e +8%/ano nas avaliações de equipas/franchises, sustentando fusões, captações e investimento em infraestruturas.
Contexto
- Contratos recentes tiveram queda do valor por jogo em alguns mercados maduros, refletindo saturação e concorrência por atenção.
- O ecossistema de fãs está a fragmentar-se: televisão para públicos mais velhos vs. destaques em redes, conteúdo de criadores e interactividade para jovens.
- Sinais do mercado: a BBC cancelou o Football Focus; o projecto The Overlap de Gary Neville integrou os canais do criador Mark Goldbridge, ilustrando a migração para plataformas digitais.
E agora?
- Titulares de direitos devem substituir abordagens “one‑size‑fits‑all” por estratégias multi‑camada: directo ao consumidor onde fizer sentido, acordos de emissão híbridos e activos pensados para social/curto formato.
- Investimento prioritário em dados de primeira parte, personalização, CRM e medição de custo por mil (CPM) e ROI por segmento de audiência.
- Mercados em ascensão: Ásia e América do Norte impulsionarão crescimento; desporto feminino transita de hiper‑crescimento para expansão sustentada a dois dígitos.