Estudo indica que plataformas de transmissão online já superam televisão em sinal aberto em Itália e Espanha
Inquérito global da Altman Solon mostra viragem do consumo desportivo para digital; streamers privilegiam direitos premium e pacotes cirúrgicos, enquanto pirataria cresce entre jovens.
O que aconteceu
Novo estudo da consultora Altman Solon revela que, esta semana, as plataformas de transmissão online (streaming) já superam a televisão em sinal aberto no consumo de desporto em mercados europeus-chave, com destaque para Itália e Espanha, onde as audiências veem cerca de +40% mais desporto via digital do que em canais gratuitos. Nos Estados Unidos, a paridade entre streaming e televisão linear deverá chegar nos próximos anos.
Por Que Importa
- Direitos premium migram para plataformas globais: acordos como Mundial de Clubes da FIFA na Dazn, LaLiga no Reino Unido/Irlanda via Disney+ (2025‑28) e manutenção da Liga dos Campeões da UEFA na Amazon até 2031 indicam uma estratégia de concentração em propriedades de topo.
- Modelos comerciais mais seletivos: streamers evitam temporadas completas quando não maximizam retorno do investimento (ROI), preferindo pacotes de alto impacto, como o NFL Christmas Day da Netflix (valores não divulgados).
- Pressão no bolso do adepto: a fragmentação por múltiplas subscrições, somada a pacotes de televisão paga, leva a insustentabilidade para os mais jovens e alimenta a pirataria, com 1 em cada 5 espectadores de 18‑34 anos a recorrer a fontes não oficiais.
- Estratégia de direitos em transição: menos exclusividade e maior distribuição multi‑plataforma podem aumentar alcance e monetização por publicidade, dados e upsell de conteúdos.
Contexto
- A oferta das plataformas evoluiu de conteúdos a pedido para diretos: Dazn, Disney+, Apple (interesse na Fórmula 1, não confirmado) e Amazon reforçam o portefólio com eventos globais.
- Segundo Jean‑Luc Jezouin (Nagra), streamers tenderão a perseguir direitos globais, à medida que ativos de propriedade intelectual (IP) com escala mundial são escassos.
- Andreas Kaeshammer (Infront) nota mudança geracional: a Geração Alpha pode preferir micro‑pagamentos (ex.: 0,50 € por 15 minutos de destaques de um avançado favorito) a uma subscrição mensal de 30 $.
E agora?
- Expectável aceleração de modelos híbridos: partilha de direitos entre televisão, plataformas online e pacotes por evento/clipe, com experiências personalizadas.
- Combate à pirataria exigirá preços mais flexíveis, autenticação simplificada e melhor agregação para reduzir fricção de descoberta e custo total.
- Clubes e ligas podem capturar mais valor com dados primários e oferta direta ao consumidor, mas terão de equilibrar alcance gratuito com monetização.