WSL pressiona por identidade além do “familiar” para crescer receitas e audiências
Aston Villa Women testa novos formatos de experiência e envolvimento, enquanto horários de TV e foco excessivo no “family-friendly” limitam conversões de público em receita.
O que aconteceu
A diretora‑geral do Aston Villa Women, Maggie Murphy, defendeu, em entrevista ao The Athletic, que os clubes do futebol feminino precisam definir uma identidade para lá do rótulo “amigo da família”, sob pena de desvalorizar um produto que é competição de elite. O Arsenal é apontado como referência na construção de marca e na lotação regular do Emirates, enquanto o Aston Villa testa novas ativações em dia de jogo para impulsionar assistências e receitas, num contexto de horários dominicais ao meio‑dia impostos pelos detentores de direitos de transmissão no Reino Unido.
Por Que Importa
- Modelo comercial: limitar a proposta a “familiar” pode reduzir o valor percebido do produto e travar preços médios de bilhete, hospitalidade e patrocínios.
- Receitas de dia de jogo: ativações pré‑partida aumentam gasto por cabeça (dados citados indicam maior despesa média do que no masculino), mas horários de 11h55–12h00 de domingo cortam tempo útil e público‑alvo.
- Direitos de transmissão: o acordo de cinco anos com Sky Sports e BBC, avaliado em €74,7 M (£65 M), condiciona janelas e, por arrasto, assistências e patrocínios locais.
- Estratégia de marca: casos como o Arsenal mostram que investimento consistente + identidade clara convertem audiências em lotação, dados e monetização multicanal.
Contexto
- A WSL registou média de ~6.500 adeptos nas primeiras seis jornadas, ligeiramente abaixo da época anterior (−1%). O Aston Villa perdeu quatro dos últimos cinco jogos, afetando a tração comercial.
- Decisão controversa no Chelsea de permitir mistura de adeptos em setores “casa/fora” expôs tensões entre inclusão e ambiente competitivo.
Entre Linhas
- A abordagem “familiar” continua valiosa (acessibilidade, segurança), mas clubes sem a herança do Arsenal/Chelsea precisam de diferenciação para competir por atenção e carteira.
- Identidade depende também do produto em campo: experiências extra‑jogo ajudam a retenção, mas a captação exige desempenho e proposta clara de valor.
Números
- Acordo de direitos WSL: €74,7 M (£65 M)/5 anos.
- Villa Park: capacidade 42.640; último jogo referenciado ~2.500 adeptos.
E agora?
- Ajustar ativações para públicos distintos (famílias, estudantes, jovens adultos) e testar preços dinâmicos e bundles (pacotes) com hospitalidade.
- Negociar maior flexibilidade de horários nas próximas janelas contratuais; explorar plataformas de transmissão online próprias para conteúdos de envolvimento e dados de primeira parte.
- Escalar iniciativas “12º jogador” (co‑criação com adeptos) e programas de membros com benefícios medidos pelo retorno do investimento (ROI).