Pirataria audiovisual custa €700 milhões em Espanha; especialistas pedem frente comum no desporto
Com 19% da população a aceder a conteúdos ilegais, o Comité de Especialistas de Marketing Desportivo defende ação coordenada de marcas, agências, intermediários e reguladores.
O que aconteceu
O Comité de Especialistas de Marketing Desportivo (CEMDE) da Associação de Marketing de Espanha divulgou um posicionamento a apelar a uma resposta holística e coordenada para prevenir e erradicar o fraude audiovisual no desporto. Espanha regista 19% da população a consumir conteúdos ilegais (entre os três piores índices da Europa), com um impacto económico estimado em €700 milhões. Os principais canais de acesso são sites especializados (42%) e redes sociais (32%).
Por Que Importa
- A pirataria erosiona receitas de direitos de transmissão e patrocínios, afetando diretamente clubes, ligas e media desportivos.
- O CEMDE aponta marcas e agências de meios como corresponsáveis: a publicidade e ativações de marca em plataformas ilegais sustentam o modelo desses operadores.
- A posição alinha com a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), que preconiza tolerância zero, corresponsabilidade e bloqueios ágeis de conteúdos.
- Para o futebol, o combate eficaz pode proteger audiências pagas, estabilizar o retorno do investimento (ROI) dos detentores de direitos e preservar a valorização de contratos futuros.
Contexto
- Espanha está entre os três países europeus com maior fraude audiovisual, a par de Bulgária (21%) e Grécia (20%).
- A CEOE estruturou cinco eixos de ação: bloqueio ágil e proporcional; responsabilização de intermediários; colaboração com incentivos; melhoria da cooperação público‑industrial (CPI); e sensibilização e análise.
- O CEMDE sublinha que, sem receita publicitária, uma parte significativa das plataformas ilegais deixa de ser viável.
E agora?
- Reforço de parcerias entre ligas, operadores e plataformas digitais para remoção célere de streams ilícitos e demonetização de sites e perfis reincidentes.
- Adoção de cláusulas de baixa exposição reputacional em contratos de media e patrocínio, proibindo ativações em ambientes ilegais.
- Campanhas de sensibilização dirigidas a adeptos e vigilância a intermediários (ad‑tech, ISPs, gateways de pagamento) para travar o fluxo financeiro às redes de pirataria.
Números
- 19% da população em Espanha consome conteúdos ilegais; impacto anual: €700 milhões.
- Canais de acesso: 42% via sites especializados; 32% via redes sociais.
- O CEMDE integra mais de 60 peritos, incluindo Elisa Aguilar (FEB), Antonio Alquézar (SailGP Team Spain), Carlos Cantó (SPSG Consulting) e Antoni Alegre (RCD Espanyol).