DFL leva a votos limite de custos de plantel com sanções graduais a partir de 2027
Regra inspirada na UEFA fixa teto de 70% das receitas desportivas para o orçamento de plantel e cria um catálogo de penalizações até à dedução de pontos e proibição de registos.
O que aconteceu
A Deutsche Fußball-Liga (DFL) vai votar a 3 de março um novo regulamento financeiro que introduz uma regra de custos de plantel, em paralelo com a criação de uma liga Sub-21. A proposta, trabalhada por um grupo nomeado pelo presidium da DFL, fixa um teto de 70% das receitas desportivas para o orçamento de plantel (licença) e prevê um catálogo claro de sanções. A entrada em vigor será faseada: multas a partir de 2027/28 e aplicação completa desde 2028/29.
Por Que Importa
- Procura travar inflacionamento de salários/transferências e mitigar riscos de casos como Hertha BSC (era Windhorst) ou modelos dependentes de qualificação europeia (ex.: Schalke 04 nos anos 2010).
- Fortalece 50+1 e incentiva investimento estrutural (academias e infraestruturas), ao excluir injecções de investidores do cálculo de receitas e escrutinar patrocínios de partes relacionadas pela sua “market fairness” (conformidade com o preço de mercado).
- Introduz sanções escalonadas, até dedução de pontos e proibição de registo de novos jogadores (equivalente a suspensão de transferências), evitando acordos que diluam penalizações, crítica feita ao modelo da UEFA.
- Mantém competitividade internacional: clubes com elevado capital próprio e gestão saudável terão sanções atenuadas para não penalizar desempenho europeu.
Contexto
- Hoje, o controlo da DFL assenta em liquidez e regras de capital próprio, que evitaram insolvências, mas não impediram ciclos de despesa excessiva alimentados por investidores.
- Na média, os clubes alemães afetam cerca de 55% das receitas ao orçamento de plantel; em cada época há 3–4 clubes próximos do novo limite de 70%.
- Patrocínios de acionistas/empresas relacionadas (ex.: Red Bull, Bayer, Volkswagen/VfL Wolfsburg) serão avaliados por adequação ao mercado, alinhado com a prática UEFA.
E agora?
- Se aprovado em março, o esquema arranca com sanções monetárias em 2027/28 e passa a regime integral em 2028/29.
- A DFL pretende publicar um quadro sancionatório padronizado, reduzindo incerteza regulatória e potenciando planeamento orçamental plurianual dos clubes.