Ares prepara tomada da Eagle; Textor segura comando do Botafogo com liminar
Credora deverá assumir a Eagle Football Holdings após acionar cláusula de proteção; impacto sobre financiamento da SAF do Botafogo é imediato e aumenta risco de recuperação judicial
O que aconteceu
John Textor mantém-se à frente da Sociedade Anónima do Futebol (SAF) do Botafogo graças a uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, enquanto arrisca perder o controlo da Eagle Football Holdings para a Ares Management. A credora terá acionado uma cláusula de proteção ao crédito, após tentativas de Textor de alterar a governança da Eagle, e deverá assumir o comando nos próximos dias. O cenário fragiliza o financiamento da SAF do Botafogo, que enfrenta um bloqueio de inscrições (transfer ban) da FIFA e rumores de pedido de recuperação judicial.
Por Que Importa
- Possível mudança de controlo na Eagle pode cortar o acesso do Botafogo a capital até aqui mediado por Textor, agravando a tesouraria da SAF.
- A Ares, gestora com ativos de cerca de €501 mil M (US$600 mil M), tende a impor governança e disciplina financeira mais rígidas, com impacto na estratégia multiclubes.
- O Botafogo encara dívidas de cerca de €241 M (R$1,5 mil M), das quais €112 M (R$700 M) vencem no curto prazo; sem injeção de fundos, o risco de recuperação judicial sobe.
- O transfer ban por atraso no pagamento de Thiago Almada expõe risco reputacional e potenciais perdas desportivas e de receitas de prémios e bilhética.
Contexto
- A liminar também travou a transferência de ativos da SAF para a Eagle Football Group, nas Ilhas Caimão, entidade ligada a Textor, que incluiria o Daring (Bélgica).
- Michele Kang, investidora ligada ao London Lionesses e gestora do Lyon, aliou-se à Ares na disputa com Textor após conflitos de governança e endividamento no grupo.
Números
- Ativos sob gestão da Ares: €501 mil M (US$600 mil M).
- Dívida total estimada do Botafogo SAF: €241 M (R$1,5 mil M); curto prazo: €112 M (R$700 M).
E agora?
- Textor afirma continuar como “acionista controlador” da Eagle e presidente do Botafogo, e prometeu aporte emergencial (valores não divulgados) aprovado pelo conselho da Eagle; a execução é incerta se a Ares confirmar a tomada de controlo.
- Caso a Ares assuma, espera-se revisão de prioridades de investimento e possível renegociação com credores; recuperação judicial permanece em estudo (não confirmado).