Mercado de transferências feminino acelera, mas concentração de gasto persiste
Mais clubes entram no jogo e recordes caem, porém as transferências com verba ainda são minoritárias e dominadas por poucos mercados (EUA e Inglaterra).
O que aconteceu
O mercado internacional de transferências no futebol feminino entrou em 2026 em forte expansão: o volume no verão duplicou desde 2021 (mais de 1.100 movimentos, dados FIFA) e a despesa total aumentou 26 vezes entre 2018 e 2024, incluindo +150% de 2023 para 2024. Apesar do impulso, só 13% das operações em 2025 envolveram transferência definitiva com pagamento (face a ~20% no masculino), embora acima dos ~5% em 2022. No topo, os recordes de valor foram sucessivamente batidos em 2024-2025, culminando em €1,65M com a saída de Grace Geyoro do Paris Saint‑Germain FC para o London City Lionesses.
Por Que Importa
- Redistribuição limitada: a maioria das comissões concentra-se na National Women’s Soccer League (NWSL, EUA) e na Women’s Super League (WSL, Inglaterra), reduzindo o efeito de reinvestimento noutros mercados.
- Sustentabilidade financeira: os maiores negócios recentes representaram, em regra, <20% das receitas operacionais dos compradores, sinalizando disciplina orçamental e menor risco de sobrealavancagem.
- Profissionalização: mais clubes a comprar/vender (de 18/16 em 2018 para 124/109 em 2024) reforça estruturas, carreiras e valor de ativos; aumentar a quota de transferências com verba é crucial para retorno do investimento (ROI) em formação e infraestruturas.
- Talento e competitividade: o crescimento abre oportunidades para academias e caminhos de desenvolvimento; clubes que investirem cedo podem capturar vantagens competitivas e receitas futuras.
Números
- +100% no volume de transferências internacionais de verão desde 2021 (≈1.100 movimentos).
- Despesa total: x26 entre 2018-2024; +150% em 2024 vs. 2023 (dados FIFA).
- Estrutura de negócios: 13% com verba em 2025 (vs. ~5% em 2022; ~20% no masculino).
- Concentração: 96 de 100 maiores compras vieram de cinco mercados; clubes dos EUA e Inglaterra somaram >75% do gasto nesse topo.
- Recordes: 2025 teve quatro máximos sucessivos; transferências a sete dígitos para Naomi Girma, Olivia Smith e Lizbeth Ovalle; pico em €1,65M (Geyoro).
E agora?
- Alargar a base de compradores com capacidade de pagar verbas será decisivo para redução de assimetrias e financiamento da formação.
- Federações e ligas podem acelerar o mercado com dados padronizados, regras claras e mecanismos de solidariedade para reforçar a redistribuição.
- Clubes devem alinhar recrutamento, desenvolvimento de talento e estratégia financeira para capturar crescimento sem comprometer a sustentabilidade.