Venda do Querétaro expõe inflação de valuations na Liga MX e reabre debate sobre multipropriedade
Cifra de 120 M$ não confirmada contrasta com negócio do Espanyol; entrada da Apollo no Atlético cria ligação indireta entre Necaxa e Atlético de San Luis.
O que aconteceu
A alegada venda do Querétaro (Liga MX) por 120 milhões de dólares — valor não confirmado — tem sido contestada no México. Fontes apontam para uma base de 60–70 M$, com variáveis até 100 M$ ligadas à manutenção do campeonato sem descidas durante cinco anos. Em paralelo, o Espanyol foi transacionado por 130 M€ (mais variáveis). A recente aquisição de controlo do Atlético de Madrid pela Apollo Sports Capital, cujo cofundador Al Tylis é também acionista do Necaxa, cria uma ligação societária indireta com o Atlético de San Luis, alimentando o debate sobre multipropriedade na Liga MX.
Por Que Importa
- Avaliações inflacionadas podem distorcer preços de clubes na Liga MX, impactando cap tables, investimento em infraestruturas e expectativas de retorno do investimento (ROI).
- O contraste Espanyol vs. Querétaro evidencia a relevância de ativos tangíveis: direitos televisivos, estádio, academia e plantel pesam mais do que a simples afiliação.
- A entrada da Apollo no Atlético cria interdependências societárias com reflexo na governança do Necaxa/Atlético de San Luis, num quadro onde a multipropriedade não está proibida na Liga MX.
- Regulação fragmentada (FIFA e ligas) mantém espaço para estruturas com participações minoritárias cruzadas, preservando opções de investimento mas elevando riscos de conflitos de interesse.
Números
- Querétaro: preço reportado de 120 M$ (não confirmado); fontes indicam 60–70 M$ base + bónus até 100 M$.
- Espanyol: 130 M€ + variáveis; receita anual de TV ≈ 40 M€.
- Querétaro: receitas de TV < 15 M$/ano; plantel ≈ 20 M$ (Transfermarkt, não oficial).
- Espanyol: plantel ≈ 99 M€ (Transfermarkt, não oficial).
- Atlético de Madrid: avaliação > 2.000 M€; direitos de TV > 80 M€/ano; plantel > 600 M€.
Entre Linhas
- A comunicação de 120 M$ beneficia vendedores na Liga MX ao criar referências de mercado mais altas para ativos com menos infraestrutura.
- A FIFA proíbe o controlo simultâneo de dois clubes na mesma competição, mas não define tetos uniformes de percentagens; a Liga MX não veda explicitamente a multipropriedade (à data), deixando margem para estruturas minoritárias.
E agora?
- Expectável maior escrutínio regulatório na Liga MX até 2026 (não confirmado), sobretudo sobre participações cruzadas e critérios de elegibilidade.
- Compradores institucionais tenderão a exigir cláusulas de proteção (bónus condicionados a ausência de descida) e due diligence reforçada sobre ativos reais (estádio, academia, direitos).