CAN 2025: disputa de direitos na África francófona expõe falhas de mira

Canais locais acusam a CAF, mas a negociação decisiva esteve com a New World TV; regulação na Costa do Marfim pode deslocar audiências e receitas publicitárias.

27 nov 2025 • 16:16 • Leitura original: Albert Savana / Financial Afrik
CAN 2025: disputa de direitos na África francófona expõe falhas de mira — Albert Savana / Financial Afrik

O que aconteceu

A propósito da Taça das Nações Africanas de 2025 (CAN 2025), explodiu uma disputa na Costa do Marfim sobre os direitos de transmissão. As televisões de sinal aberto RTI e NCI, e a operadora de televisão paga CANAL+, detêm direitos no país. Uma decisão da autoridade reguladora marfinense (HACA), de setembro de 2023, obriga a colocar os grandes eventos desportivos em pacotes superiores aos que incluem os canais locais. Em paralelo, canais francófonos acusaram a Confederação Africana de Futebol (CAF) de limitar o seu acesso a apenas 33 dos 52 jogos. Porém, a CAF já tinha concedido em novembro de 2023 os direitos integrais da CAN 2024 e 2025 à New World TV (Togo) para 46 países, cabendo a esta a sublicenciação — logo, a disputa centra-se nas condições negociadas com a New World TV, não na CAF.

Por Que Importa

  • A aplicação da regra da HACA pode desviar audiência para RTI e NCI (em pacotes básicos), reforçando receitas publicitárias locais, enquanto o canal dedicado CANAL+ CAN ficaria em pacotes superiores.
  • A centralização dos direitos na New World TV confirma a redistribuição do mercado de conteúdos premium na África francófona, com impacto direto em custos de sublicenças e margens dos canais nacionais.
  • A contestação à CAF parece mal direcionada: a negociação comercial crítica esteve nas sublicenças com a New World TV, o que pode influenciar futuros termos e preços de renovação.
  • Para a CANAL+, a decisão da HACA na Costa do Marfim eleva o risco de erosão de base de assinantes nos pacotes de entrada, pressionando a estratégia de empacotamento.

Contexto

  • Em 2022, na Copa do Mundo, a New World TV sublicenciou à NCI 28 jogos em francês na Costa do Marfim; a CANAL+ recuou na emissão em inglês via Supersport e elevou o sinal da NCI para HD, ilustrando cooperação táctica entre operadores.
  • Na Liga dos Campeões, a CANAL+ perdeu a exclusividade na África francófona; a New World TV detém hoje a totalidade, reforçando a sua posição negocial.

Entre Linhas

  • O alegado limite de 33 jogos para canais francófonos não foi explicado contratualmente em público (valores não divulgados). A própria participação dos canais num seminário da New World TV em Lomé sem contestação formal fragiliza a tese de “nova política” da CAF.

E agora?

  • Expectável reforço de sublicenças em aberto e/ou ajustes contratuais com a New World TV para aumentar inventário de jogos em canais FTA (free-to-air: canais gratuitos) — termos e preços (não confirmados).
  • A CANAL+ pode reconfigurar pacotes na Costa do Marfim para mitigar churn e maximizar ARPU (receita média por utilizador), mantendo acessibilidade alargada noutros mercados francófonos.

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