Saída de Ronaldo não mexe nos contratos da FPF, mas pesa na venda de camisolas
Os patrocinadores compram os direitos da Seleção e não os do jogador, segundo o especialista Daniel Sá; um índice de marca estima que sem Ronaldo Portugal perde 18 pontos.
O que aconteceu
Cristiano Ronaldo anunciou o fim da carreira na Seleção numa carta publicada nas redes sociais. Segundo o especialista em marketing desportivo Daniel Sá, em declarações à agência EFE citadas pela Palco23 a 6 de novembro, a saída não deverá provocar uma queda acentuada das receitas da Federação Portuguesa de Futebol (FPF): os contratos atuais não serão afetados estruturalmente, porque os parceiros comerciais compram os direitos da seleção e da federação e não os direitos individuais do jogador.
Por Que Importa
- O maior impacto estima-se na venda de camisolas. Segundo Daniel Sá, a camisola 7 associada a Ronaldo tornou-se um ativo global cuja atração não se substitui de imediato.
- O índice Your Brand Value Sports, feito para o último Mundial, colocava Portugal como a oitava seleção com maior valor de marca, 2,28 mil M€ (2.550 milhões de dólares), e estimava que sem Ronaldo a pontuação da marca cai 18 pontos, mais do que qualquer eliminação desportiva.
- O mesmo índice avisava que os patrocinadores que entram agora compram a marca Ronaldo e não a marca Portugal.
Contexto
- Um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) de 2025 estimou o valor da marca pessoal de Ronaldo em 850 M€, mais 325% do que em 2020.
- Em julho, o diretor de marketing e comercial da FPF, João Medeiros Cardoso, apresentou um plano em duas fases: aproveitar o último Mundial de Ronaldo e preparar a transição, com aposta progressiva em jogadores como Nuno Mendes, Vitinha e Bruno Fernandes no mercado interno.
- Segundo a lista da Forbes, Ronaldo ganha cerca de 269 M€ (300 milhões de dólares) por ano: 224 M€ (250 milhões de dólares) do contrato com o Al-Nassr e 45 M€ (50 milhões de dólares) em patrocínios.