Da cibersegurança às lojas: quem procura o futebol português?
O Futebol e Negócios analisou doze meses de anúncios de emprego para conhecer as profissões procuradas no setor. Da cibersegurança às lojas, os dados revelam parte das equipas que fazem funcionar os clubes e as oportunidades para quem vem de fora.
O Benfica procurou um auditor de segurança da informação. O FC Porto, um cientista de dados. O Sporting, um especialista em experiência e interface digital. São funções que raramente alimentam o debate sobre os reforços de um clube, mas ajudam a perceber o que se passa dentro dele.
Ao lado dos treinadores e fisioterapeutas, os anúncios apresentam outra lista de necessidades: gerir lojas, abastecer armazéns, atender adeptos, produzir conteúdos ou acompanhar contratos. Vista através do recrutamento, uma organização de futebol ganha contornos familiares a quem trabalha noutros negócios.
O Futebol e Negócios analisou 383 registos de anúncios ligados ao setor, recolhidos entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Entre os clubes, os três grandes somam 99: Sporting com 64, FC Porto com 18 e Benfica com 17. Outros 38 clubes, de SAD profissionais a estruturas locais e de formação, reúnem 54. Os números permitem observar o recrutamento que chega ao público, embora não contem toda a contratação.
O trabalho de conquistar e servir adeptos
Comunicação e marketing, vendas, atendimento e tecnologia somam 39 dos 99 registos dos grandes. A relação com o adepto desdobra-se em tarefas, departamentos e especialidades.
No Sporting, aparecem vídeo, redes sociais, produção de conteúdos e gestão de marca. No Benfica, fotografia e continuidade de emissão. No total, comunicação, marketing e conteúdos representam 16 registos.
A venda tem os seus próprios profissionais. O Porto procurou um comercial para clientes empresariais; o Benfica, um gestor de contas, um especialista em comércio eletrónico e assistentes de loja; o Sporting, um gestor de contas júnior e um gerente de loja. Esta área soma oito registos. Outros oito, todos no Sporting, cobrem atendimento e experiência, das visitas ao apoio ao cliente.
Uma loja precisa de produto disponível. Uma visita exige organização. Por trás das funções mais visíveis surgem manutenção, segurança, distribuição e compras, agrupadas em 18 registos dos grandes. Acrescentam-se dez de operações, eventos e equipamentos, além de funções de gestão, finanças e recursos humanos.
Alguns cargos dizem mais sobre a variedade do trabalho do que uma soma de categorias. O Porto procurou um advogado. O Sporting, um técnico de serviço social para o futebol de formação. A estrutura de um clube inclui tanto quem acompanha o negócio como quem apoia os jovens que nele crescem.
| Funções procuradas | Três grandes | Outros 38 clubes |
|---|---|---|
| Treino, scouting e performance | 8 | 26 |
| Saúde | 4 | 16 |
| Comunicação, marketing e conteúdos | 16 | 4 |
| Comercial, lojas e e-commerce | 8 | 0 |
| Atendimento e experiência | 8 | 0 |
| Tecnologia, dados e produto digital | 7 | 0 |
| Instalações, logística e compras | 18 | 1 |
| Operações, eventos e equipamentos | 10 | 3 |
| Gestão, projetos e administração | 8 | 0 |
| Finanças, jurídico e recursos humanos | 6 | 0 |
| Educação e apoio social | 5 | 0 |
| Anúncios com múltiplas áreas | 0 | 2 |
| Função insuficientemente identificada | 1 | 2 |
| Total de registos | 99 | 54 |

Cada traço representa um anúncio. Categorias agregadas a partir da tabela acima.
Anúncios agrupados na amostra principal. Um zero significa que não foi identificado um registo nesta seleção, não que a função não exista nesses clubes.
Os dados também são dos clientes
O interesse pela tecnologia estende-se à atividade comercial e ao funcionamento da organização. Entre os sete registos desta área nos grandes, encontram-se administração de sistemas, segurança da informação e design digital. O anúncio do Porto para responsável de produto de uma plataforma de dados de clientes mostra outra aplicação dos dados, além da avaliação de jogadores e adversários.
A mesma diversidade aparece nas instituições que organizam o futebol. FPF e Liga somam dez registos de tecnologia, dados e produto digital, com funções de transformação digital, cibersegurança, análise de dados, software e apoio informático.
Há lugar para diferentes níveis de experiência. No conjunto dos 383 registos, 40 mencionam estágio, trainee ou intern e nove identificam funções júnior. Também aparecem um contabilista sénior no Sporting, um especialista sénior em ciência do desporto no Benfica e o diretor-geral da Fundação FC Porto. As oportunidades publicadas vão do primeiro contacto com uma profissão a cargos de direção.
Mais perto do campo
Nos outros 38 clubes, a distribuição muda. Treino, scouting e preparação desportiva representam 26 dos 54 registos; saúde, outros 16. Juntos, são 78% deste grupo, contra 12% nos grandes. Dois anúncios adicionais reúnem treino e saúde na mesma publicação.
Famalicão, Santa Clara e AVS procuraram fisioterapeutas. O Leça, um preparador físico. O Vizela, treinadores de formação e de guarda-redes. O Estoril, um responsável pela performance física. A procura visível concentra-se no trabalho com os atletas.
Também há comunicação: estágios de marketing no Mangualde e no Alcanenense, fotografia e vídeo no Valadares Gaia, animação de mascote no Mafra. São oportunidades com diferentes objetivos, da presença nas redes sociais à experiência de quem vai ao estádio.
Os zeros da tabela pedem prudência. Entre os anúncios ainda sujeitos a confirmação adicional, há um gestor comercial para o Alverca. Poucos anúncios encontrados não equivalem a poucas pessoas contratadas, nem permitem conhecer a dimensão dos departamentos de cada clube.
Quem pode entrar
O empregador também pode estar fora do clube. A Legends publicou um anúncio de contabilidade que identifica o FC Porto. A Mota-Engil ATIV procurou profissionais para cuidar de relvados de futebol. A PlaySports anunciou oportunidades de filmagem e coordenação de ligas amadoras. Parte do trabalho está nos fornecedores.
Esta variedade alarga o mapa a quem fez carreira noutros setores. Um profissional de contabilidade, segurança informática ou comércio eletrónico pode reconhecer nas necessidades de um clube problemas que já conhece. Um anúncio público dá-lhe a possibilidade de se candidatar sem depender de uma apresentação pessoal.
O Brentford foi explícito nessa procura: em 2022, depois da primeira época na Premier League, anunciou uma função de marketing dirigida a profissionais com experiência em marcas de consumo e vontade de passar para o futebol. A missão era compreender, servir e fazer crescer a comunidade de adeptos.
Os anúncios portugueses mostram oportunidades para fazer essa passagem. Publicá-las permite aos clubes procurar competências para além das pessoas que já conhecem. O orçamento condiciona quantas pessoas se podem contratar; a forma de procurar influencia quem chega a candidatar-se.
Sobre os dados: alertas LinkedIn e Google entre 29/8/2025 e 28/8/2026; 383 grupos de anúncios, com funções revistas pelo título. A comparação inclui estruturas centrais e modalidades e não representa todo o mercado. Pode haver republicações e títulos incompletos. Os números não medem contratações nem vagas atualmente abertas. Sem uma série histórica comparável, não permitem medir o crescimento das equipas ou da abertura do recrutamento.