Messi, Ronaldo e mais: as estrelas que estão a comprar clubes
Jogadores de elite passam de salários e patrocínios a participação acionista, abrindo uma nova via de influência e receita no negócio do futebol.
O que aconteceu
Um conjunto de estrelas — de Lionel Messi a Cristiano Ronaldo, passando por Vinícius Júnior, Kylian Mbappé, Luka Modrić e Thibaut Courtois — avançou recentemente para a propriedade parcial ou total de clubes, sobretudo em divisões inferiores europeias, com objetivos que vão da valorização de ativos à expansão de marca e desenvolvimento de talento. Casos em destaque: a aquisição total do UE Cornellà (quinta divisão espanhola) por Messi; 25% do UD Almería por Ronaldo; a maioria do Alverca por um consórcio com Vinícius; a compra da maioria do SM Caen por Mbappé; a entrada de Modrić no capital do Swansea City.
Por Que Importa
- Nova via de carreira pós-jogador: além de treino e comentários, a propriedade cria controlo estratégico sobre ativos (academias, direitos de formação e vendas futuras).
- Alavanca de audiência e patrocínio: nomes como Messi e Modrić amplificam alcance digital e atraem patrocinadores, reduzindo custo de aquisição de adeptos e parceiros.
- Finanças e valorização: investir em divisões inferiores pode gerar retorno do investimento (ROI) via promoção, prémios de TV, e trading de jogadores (comprar barato, vender caro).
- Governação e risco reputacional: más decisões desportivas (caso Caen/Mbappé) evidenciam exposição a protestos de adeptos e necessidade de baixa exposição reputacional.
Contexto
- Precedentes: David Beckham impulsionou o modelo ao criar o Inter Miami (EUA) e co-liderar o Salford City (Inglaterra). Outros exemplos incluem Ronaldo Nazário (Real Valladolid), Gerard Piqué (FC Andorra), Zlatan Ibrahimović (Hammarby) e Cesc Fàbregas/Thierry Henry (Como).
- Academias como ativo: o Cornellà é reconhecido pela formação (ex.: Jordi Alba, David Raya), reforçando a tese de investimento em talento local para gerar mais-valias.
Números
- Cornellà: seguidores no Instagram cresceram para centenas de milhares após a entrada de Messi (valor exato não divulgado).
- Alverca: consórcio com Vinícius comprou 70-80% por cerca de €10M; o clube regressou à Liga Portugal e estabilizou a meio da tabela.
- Caen: compra maioritária por Mbappé em 2024 (c. €15M não confirmado) não evitou descida ao terceiro escalão; troca de treinador e protestos de adeptos.
- Almería: Ronaldo adquiriu 25% via CR7 Sports Investments; objetivo de promoção imediata com novo treinador e várias contratações.
E agora?
- Escala e sinergias: espera-se maior uso de modelos multi-clube para partilha de scouting, dados e desenvolvimento de jogadores.
- Regulação: ligas reforçam regras de propriedade múltipla e conflitos de interesse (caso Santa Clara/Alverca), podendo limitar estruturas de investimento.
- Comercial: clubes com estrelas-investidoras devem capitalizar em novos patrocínios globais, vendas internacionais de merchandising e conteúdos para plataformas de transmissão online.