De Abu Dhabi a Wall Street: como o capital reescreveu as finanças do futebol na última década

SPV, multiclube e capital norte‑americano impulsionaram profissionalização e liquidez; valorização média supera operações ainda deficitárias em exploração

19 ago 2026 • há 3 horas • Leitura original: 2Playbook
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O que aconteceu

A Brookfield concluiu a compra de 100% da Oaktree Capital Management, passando a controlar, entre outros ativos, o FC Inter, campeão da Serie A. O caso ilustra a transformação do financiamento no futebol em dez anos: entrada de fundos institucionais, uso de estruturas como veículos de propósito especial (SPV) para segregar receitas previsíveis (direitos de transmissão e patrocínios) e expansão do modelo multiclube/holding, com forte peso de capital dos Estados Unidos.

Por Que Importa

  • A indústria tornou‑se mais “financiável”: SPV e contratos de longo prazo reduziram risco para bancos e fundos, desbloqueando liquidez mesmo em choques (ex.: pandemia).
  • A rentabilidade histórica de propriedades desportivas (~15%/ano em 25 anos, segundo Goldman Sachs) atraiu capital privado e fundos soberanos, apesar de perdas operacionais frequentes nos clubes.
  • A concorrência por ativos estendeu‑se além da elite: clubes médios/bem posicionados na pirâmide oferecem alto potencial de revalorização.
  • O capital norte‑americano ganhou influência regulatória e estratégica nas ligas europeias, pressionando por maior controlo financeiro e sustentabilidade.

Contexto

  • Em 2016, o futebol ainda era visto como mecenato/vaidade; hoje é tratado como ativo institucional, sem barreiras relevantes quanto à origem do capital ou modelo de gestão.
  • A Covid‑19 testou o novo enquadramento: com garantias sobre receitas segregadas, clubes acederam a crédito imediato (incluindo apoios estatais, como os ICO em Espanha) e aceleraram monetizações (ex.: LaLiga–CVC, Plan Impulso).

Entre Linhas

  • O modelo multiclube escalou de ~100 clubes (2019) para 400+ (2026), mas mostra sinais de fadiga: grupos robustos como City Football Group e Red Bull consolidaram‑se; outros enfrentam stress financeiro (ex.: 777 Partners; disputas em torno da Eagle/John Textor).
  • No feminino, fundos como Mercury 13 replicam a lógica de rede (Liga F – FC Badalona Women; Serie A – FC Como Women; Bristol City Women na 2.ª inglesa), antecipando sinergias comerciais e de talento.

Números

  • Valor médio de uma franquia da MLS: 767 M$ (≈650 M€); mediana de clubes na LaLiga EA Sports: 258 M€ (Sportico; Intelligence 2P).
  • Brookfield: >1 bilião de dólares em ativos sob gestão (≈870.000 M€).

E agora?

  • Dilema central: fundos com horizontes curtos de retorno do investimento (ROI) a coexistirem com clubes cuja valorização social e de adepto é de longo prazo. O ajuste regulatório e de governação será decisivo para a próxima fase.

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