Do clube à “Football Corporation”: oportunidades e riscos do modelo multi‑clubes

City Football Group e Red Bull lideram redes globais que partilham talento, dados e receitas; o caso Eagle Football expõe fragilidades financeiras e conflitos regulatórios.

18 ago 2026 • há 2 horas • Leitura original: Calcio e Finanza
Do clube à “Football Corporation”: oportunidades e riscos do modelo multi‑clubes — Calcio e Finanza

O que aconteceu

Redes de propriedade multi‑clubes estão a redesenhar o negócio do futebol. O City Football Group (CFG) agrega 13 clubes/parcerias em cinco continentes (incluindo Manchester City, Girona, Palermo, New York City FC, Bahia, Melbourne City e Yokohama F. Marinos), integrando scouting, academias, dados e patrocínios. A Red Bull opera um ecossistema centrado no seu marca‑guarda‑chuva, enquanto a Eagle Football Group (EFG) ilustra os riscos: em 2026, a sua Bidco foi colocada sob administração controlada, iniciando a venda das participações.

Por Que Importa

  • Integração vertical permite economias de escala: talento como ativo do grupo, mobilidade interna e redução de custos de aquisição/desenvolvimento.
  • Comercial: o “produto” passa a ser o network global; pacotes de patrocínio com alcance multinacional elevam o valor das parcerias face a um único clube.
  • Estratégia: contraste entre modelos “Football First” (CFG) e “Brand First” (Red Bull) com impactos distintos em receitas, conteúdo e posicionamento.
  • Regulação e integridade competitiva: a UEFA apertou regras de propriedade múltipla, impondo muros éticos, proibições de transferências internas e estruturas fiduciárias quando clubes ligados se qualificam para as mesmas competições.

Contexto

  • No modelo multi‑clubes, um jogador é tratado como ativo financeiro do ecossistema: descoberto, desenvolvido numa “escala” interna e colocado conforme a maturidade desportiva e necessidades do grupo.
  • A Red Bull integra clubes, produção de conteúdos, eventos e outras modalidades (ex.: Fórmula 1), visando reforço de marca e envolvimento de audiência além do resultado desportivo imediato.
  • O CFG tende a preservar identidades locais dentro de uma organização global; a Red Bull privilegia identidade comum associada ao seu logótipo.

Números

  • CFG: 13 entidades sob controlo total, parcial ou parceria; cerca de 400 parceiros comerciais (não confirmado oficialmente no total atual).
  • RB Leipzig: mais de €1.000 milhões em vendas de jogadores ao longo de oito anos (indicativo do enfoque em valorização de talento).

E agora?

  • Expectável maior escrutínio da UEFA sobre conflitos de interesse em competições europeias; casos como Girona–Manchester City motivaram blind trusts e restrições temporárias.
  • A sustentabilidade financeira será decisiva: o colapso da Bidco da EFG sugere que alavancagem sem estrutura operacional sólida ameaça todo o ecossistema.
  • A corrida não é “se” o futebol será multinacional, mas quem construirá a multinacional mais eficiente, equilibrando desempenho desportivo, regulação e retorno do investimento (ROI).

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