Real Madrid ultrapassa €1,22 mil milhões de receitas e reforça máquina de monetização do Bernabéu
Clube lidera pelo 3.º ano seguido em receitas globais e apresenta EBITDA recorde, impulsionado pelo estádio remodelado e crescimento comercial, apesar de custos em alta e ajustes contabilísticos.
O que aconteceu
O Real Madrid anunciou receitas recorde mundiais de €1,221 mil milhões em 2025-26 (mais 3% vs. 2024-25), o 3.º ano consecutivo acima do resto do futebol europeu. O clube reportou EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de €287 M, e lucro líquido de €26,3 M. Parte das receitas inclui €23,5 M de reversão de provisões ligadas a um processo na Comissão Europeia. A remodelação do Santiago Bernabéu continua a ser o principal motor: €363 M em “receitas de estádio”.
Por Que Importa
- Monetização do estádio: €363 M em 2025-26, mais do dobro do pré-remodelação; mesmo com concertos suspensos por queixas de ruído, evidencia um modelo de estádio multiuso que eleva receitas não televisivas.
- Comparativo competitivo: Arsenal deverá atingir cerca de €934 M em 2025-26, ainda muito abaixo do Madrid — vantagem estrutural em patrocínios, matchday e exploração do recinto.
- Sustentabilidade financeira: lucro pelo 24.º ano consecutivo e dívida do projeto do estádio ligeiramente em baixa (€1,108 mil M), com plano de reembolso anual de €66 M a partir de 2027, suportado por novas fontes de rendimento.
- Qualidade dos resultados: uso de reversões de provisões e inclusão de mais-valias de atletas no EBITDA distorce comparações interclubes; sem os €23,5 M de provisões e itens pontuais (ex.: licenças de lugar), a leitura é mais conservadora.
Números
- Receitas totais: €1,221 mil M; EBITDA: €287 M (+€44 M, +18%); lucro líquido: €26,3 M.
- Estádio: €363 M, mas €39 M abaixo do orçamentado; inclui ~€10 M de licenças de lugar (PSL).
- Investimento no Bernabéu em 2025-26: €60,7 M; total já acima de €1,4 mil M.
- Dívida do estádio: desce de €1,132 mil M para €1,108 mil M; reembolsos anuais de €66 M a partir de 2027 (até lá, terceira tranche com €26 M/ano só inicia em nov-2027).
- Custos desportivos: “despesas de pessoal desportivo” sobem de €540 M para €618 M; investimento em contratações em 2025-26: €161 M.
- Caixa: €83 M no fim de junho (padrão de apoio via patrocínios e linhas de crédito para picos salariais semestrais).
Entre Linhas
- O cancelamento judicial dos dois parques de estacionamento previstos retira uma futura fonte de rendimento; o clube minimiza o impacto e procura recuperar cerca de €20 M já gastos.
- 93% do aumento de €464 M de faturação desde 2018-19 vem de receitas “diretamente geridas pelo clube” (não televisivas) — validação do pivô estratégico para ativos próprios: estádio, experiências e marketing.
E agora?
- “Bernabéu Infinito” e novas tecnologias prometem ampliar a extração de valor por adepto e por visita, mitigando volatilidade de resultados desportivos.
- Com espaço em linhas de crédito e cash-flow robusto, o clube mantém margem para investir no plantel, mas terá de equilibrar custos salariais crescentes com disciplina na estrutura de dívida.