Liga F cresce para €56,6M em receitas, mas perdas disparam 52% em 2024-2025

Publicidade e patrocínios puxam o negócio, mas a subida dos custos com plantéis agrava o resultado negativo para €16,2M.

20 jul 2026 • 08:49 • Leitura original: 2Playbook / Marc Menchén
Liga F cresce para €56,6M em receitas, mas perdas disparam 52% em 2024-2025 — 2Playbook / Marc Menchén

O que aconteceu

Os 16 clubes da Liga F (primeira divisão feminina em Espanha) faturaram €56,6 milhões em 2024-2025 (+7,8% face a 2023-2024), mas ampliaram as perdas antes de impostos para €16,2 milhões (+52,2%). As despesas totais atingiram €72,8 milhões (vs. €63,2M), impulsionadas pela maior investimento em plantéis. Apenas quatro clubes fecharam com lucro; o relatório do Conselho Superior de Desportos (CSD) não identifica quais, embora FC Barcelona e Real Madrid tenham comunicado rentabilidade (não confirmado no documento).

Por Que Importa

  • Pressão sobre sustentabilidade: receitas crescem, mas os custos com pessoal subiram 15% para €46,7M, absorvendo 64,3% do gasto operacional.
  • Modelo comercial em consolidação: publicidade, patrocínios e comercial renderam €35,4M (+24,4%), já 64,4% dos €55M de receitas ordinárias.
  • Direitos audiovisuais frágeis: os clubes reportaram €5,2M (-22%), apesar de a Liga F ter distribuído €4,8M com mínimo garantido de €230.000 por clube — sinal de dependência de patrocínios e de relato contabilístico desigual.
  • Concentração de risco: um clube gera 40% das receitas ordinárias; dois clubes somam 42,9% dos custos. Três entidades acumulam 59% das perdas.

Números

  • Bilhética e sócios: €6,8M (+12,5%); cerca de 400.000 espectadores (+7%), média de 1.650 por jogo, ajudados por jogos em estádios masculinos.
  • Outras operações: gastos de exploração quase €25M (vs. €21,2M).
  • Extraordinários em queda: receitas não recorrentes €1,6M (de €3,2M), com menos mais-valias em transferências.

Entre Linhas

  • Doze dos 16 clubes pertencem a estruturas com futebol masculino profissional, que cobrem défices e permitem maior investimento, mas dificultam medir a autonomia financeira da competição.
  • O CSD nota desagregação incompleta de receitas, sobretudo quando há patrocinadores globais do clube “mãe”; nesses casos, os valores foram imputados ao comercial, podendo inflacionar essa rubrica e subestimar outras.

E agora?

  • Prioridade estratégica: controlar massa salarial e estabilizar custos operacionais para reduzir perdas sem travar o crescimento comercial.
  • Valorização da transmissão em aberto e melhoria de métricas de audiência podem sustentar futuras negociações de direitos e patrocínios.

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